REUTERS/Juan Carlos Ulate
REUTERS/Juan Carlos Ulate

Casamento gay marca eleição na Costa Rica

Pastor evangélico pode garantir lugar no segundo turno após campanha contra união entre pessoas do mesmo sexo

O Estado de S.Paulo

04 Fevereiro 2018 | 05h00

SAN JOSÉ - A Costa Rica vai às urnas hoje para escolher seu presidente em uma eleição marcada pelo debate sobre o casamento gay. O favorito, segundo pesquisas, é o pastor evangélico Fabricio Alvarado, de 43 anos, do Partido da Restauração Nacional. Em dezembro, ele tinha apenas 3% das intenções de voto. No entanto, os ventos mudaram no dia 9 de janeiro, quando a Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), localizada em San José, emitiu uma sentença que obriga o país a aceitar a união entre pessoas do mesmo sexo.

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Imediatamente, o pastor Alvarado anunciou que retirará a Costa Rica do tribunal, se for eleito, e disparou nas pesquisas, chegando à liderança, com 17%. Poucos pontos porcentuais atrás, tecnicamente empatados, estão o advogado Juan Diego Castro e o empresário Antonio Álvarez. Como nenhum candidato deve ter maioria dos votos, a disputa deve ser decidida no segundo turno, em 1.º de abril. “A decisão da CIDH colocou fogo na disputa”, afirma o analista independente Jorge Vega.

Não é só o casamento gay que tem impacto na eleição de hoje no país, conhecido por sua estabilidade. Um escândalo envolvendo a importação de cimento chinês por um empresário ligado ao presidente Luis Guillermo Solís aumentou a insatisfação do eleitor com os políticos tradicionais – o que também beneficia o pastor. Nos últimos meses, o índice de desemprego subiu para 9,4% e a criminalidade chegou a 12,1 assassinatos por 100 mil habitantes – número ainda bem abaixo dos vizinhos, mas maior do que costumava ser. 

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Para o analista Rotsay Rosales, da Universidade da Costa Rica, a indefinição reflete um cenário conhecido na região: o desencanto da população com a situação econômica, com a corrupção e o enfraquecimento de partidos tradicionais. “A isso se somam candidaturas pouco convincentes, contribuindo para a indecisão do eleitorado e uma abstenção alta”, disse. / AFP

 

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