ANDREI NETTO/ESTADAO
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Catalunha vai às urnas para tentar sair da crise política

50 dias após a intervenção de Madri, que anulou a autonomia regional, destituiu o governador e mandou para a cadeia líderes independentistas, população se mobiliza pelo voto

Andrei Netto, Enviado Especial / Barcelona, O Estado de S.Paulo

20 Dezembro 2017 | 22h07

A Catalunha tenta nesta quinta-feira, pelo voto, sair da maior crise política de sua história contemporânea. Sob intervenção direta de Madri há 50 dias, quando o primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, anunciou a inédita destituição do governador secessionista Carles Puigdemont, o fechamento do Parlamento e a anulação da autonomia regional, 5,3 milhões de eleitores poderão escolher o novo líder político regional. A unionista de centro-direita Ines Arrimadas e o independentista de esquerda Oriol Junqueras são os candidatos favoritos.

A eleição ocorre em um regime de exceção, após uma campanha conturbada pela prisão de vários das mais importantes personalidades políticas da região. Junqueras, ex-vice de Puigdemont e chefe do partido Esquerda Republicana Catalã (ERC), não pôde defender sua própria candidatura por estar preso, acusado pela Justiça de rebelião contra a segurança nacional e desvio de verbas públicas. Ainda assim, divide a liderança em todas as pesquisas eleitorais com Arrimadas, de 36 anos.

Em um cenário de alta fragmentação política e de grande polarização entre independentistas e unionistas, a campanha se limitou à relação entre Barcelona e Madri, tornando-se um plebiscito informal sobre a independência. 

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Arrimadas promete a pacificação regional, submetendo o governo regional ao quadro constitucional da Espanha. “Teremos ao nosso alcance a oportunidade histórica de iniciar uma nova etapa na Catalunha, centrada no que nos une”, afirmou a líder do partido Ciudadanos. Preocupada com a mobilização dos secessionistas, a jovem exortou seus eleitores a irem às urnas expressar seu apoio à união da Espanha. “Não fique em casa, saia votar com o coração pelo futuro e pela convivência.”

Já Junqueras e os partidos do bloco independentista não esclareceram se optarão mais uma vez pela estratégia de confrontação com Madri ou se passarão a apostar em negociações com o governo central.

Segundo as pesquisas de opinião, nenhum partido deverá conquistar a maioria absoluta de 68 deputados no Parlamento, o que obrigará os líderes políticos a negociarem uma ampla coalizão. Mas a ECR deve somar o maior número de deputados – entre 36 e 37. Considerados os prognósticos de outros dois partidos independentistas, o Juntos por Catalunha (centro-direita) e o Candidatura de Unidade Popular (CUP, extrema esquerda), a tendência é de que o bloco secessionista fique muito próximo de somar o número necessário de deputados para nomear um novo governador, mesmo que perca em total de votos para o bloco unionista.

A perspectiva é de altíssima participação do eleitorado, da ordem de 82% dos inscritos nas seções eleitorais.

 

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