1. Usuário
Assine o Estadão
assine
  • Comentar
  • A+ A-
  • Imprimir
  • E-mail

Cauteloso, Obama celebra acordo com Irã, mas anuncia sanções

- Atualizado: 17 Janeiro 2016 | 20h 34

Presidente americano elogia vitória da diplomacia ‘inteligente, paciente e disciplinada’ para desmantelar o programa nuclear iraniano e diz que pacto acaba com as chances de a república islâmica obter armas atômicas; outras punições continuam

Barack Obama discursa na Casa Branca 

Barack Obama discursa na Casa Branca 

WASHINGTON  - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse neste domingo, 17,  que a implementação do acordo nuclear com o Irã é uma vitória da diplomacia americana e as potências mundiais acabaram com a possibilidade de o regime iraniano construir uma bomba atômica. O presidente ainda ressaltou ter enormes diferenças em relação a Teerã e, como exemplo disso, impôs sanções a empresas e membros do regime envolvidos no programa de mísseis balísticos do país. 

“Ontem (sábado) alcançamos um momento histórico para prevenir que o Irã obtenha armas nucleares e, o mais importante, conseguimos isso pela diplomacia, sem nos arriscarmos em outra guerra no Oriente Médio”, disse Obama em pronunciamento na Casa Branca. “É um lembrete sobre o que nós podemos alcançar quando nós lideramos com inteligência, paciência e disciplina.”

As declarações do presidente foram dadas após o anúncio da retirada de duras sanções econômicas e financeiras impostas pela União Europeia e Estados Unidos ao Irã desde 2011 em virtude do programa nuclear da república islâmica. As restrições foram abandonadas após a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) certificar que o Irã está cumprindo o acordo nuclear assinado com EUA, Grã-Bretanha, China, Rússia, França e Alemanha em julho. 

Além da revogação das sanções, EUA e Irã acertaram ontem uma troca de prisioneiros que permitiu a libertação do repórter do Washington Post Jason Rezaian e mais quatro americanos detidos no Irã, além de sete iranianos presos nos EUA. 

Como parte do acordo de julho, o Irã mandou para fora do país 98% de seu urânio enriquecido e desmantelou milhares de centrífugas, além de ter desmontado seu principal reator nuclear. Em troca, terá acesso a US$ 100 bilhões em bens e ativos congelados e poderá participar de transações financeiras.

Obama ainda disse que uma futura normalização de relações é possível. “Temos uma rara oportunidade de escolher um novo caminho - diferente e com um futuro de progresso para ambos os povos e o resto do mundo. É uma oportunidade para o povo do Irã e precisamos tirar vantagem disso”, afirmou.

Punições. Apesar do otimismo com o pacto nuclear, Obama ressaltou que ainda há profundas diferenças entre Washington e Teerã e fará de tudo para monitorar o cumprimento do acordo, além de tentar punir qualquer comportamento agressivo da república islâmica. 

“Seguimos trabalhando com rapidez contra as ameaças iranianas contra Israel e o apoio ao terrorismo e agentes violentos na Síria e no Iêmen”, disse Obama. 

Sem dar detalhes, o presidente americano atribuiu as novas sanções a empresas e membros do regime ao descumprimento de regras da ONU sobre o programa balístico iraniano como exemplo desse ceticismo. Outras sanções que permanecem em vigor visam coibir abuso de direitos humanos e atividades terroristas.

Em comunicado, o Departamento do Tesouro americano anunciou que seis empresas e cinco indivíduos são alvo das sanções. Eles teriam trabalhado para obter peças que seriam usadas no programa balístico iraniano, o que foi proibido pelo Conselho de Segurança da ONU. 

“Esse programa balístico oferece uma ameaça significativa à segurança global e regional e continuará sujeito a sanções internacionais”, disse o subsecretário para terrorismo e inteligência financeira do departamento Adam J. Szubin. “Deixamos claro que os Estados Unidos pressionarão com veemência a imposição de sanções contra as atividades do Irã que estejam fora do Plano de Ação Conjunto, incluindo as relacionadas com seu apoio ao terrorismo, à desestabilização regional, aos abusos de direitos humanos e ao programa de mísseis.”

Sanções contra entidades e indivíduos têm impacto menor que as econômicas, que na prática vetavam o acesso do governo a recursos no exterior e deterioraram significativamente a economia do país. / REUTERS, EFE, WASHINGTON POST e NYT

Comentários

Aviso: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Estadão.
É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O Estadão poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os criterios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.

Você pode digitar 600 caracteres.

Mais em InternacionalX