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REUTERS|Yuri Gripas TPX

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Cauteloso, Obama celebra acordo com Irã, mas anuncia sanções

Presidente americano elogia vitória da diplomacia ‘inteligente, paciente e disciplinada’ para desmantelar o programa nuclear iraniano e diz que pacto acaba com as chances de a república islâmica obter armas atômicas; outras punições continuam

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O Estado de S. Paulo

17 Janeiro 2016 | 20h19

WASHINGTON  - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse neste domingo, 17,  que a implementação do acordo nuclear com o Irã é uma vitória da diplomacia americana e as potências mundiais acabaram com a possibilidade de o regime iraniano construir uma bomba atômica. O presidente ainda ressaltou ter enormes diferenças em relação a Teerã e, como exemplo disso, impôs sanções a empresas e membros do regime envolvidos no programa de mísseis balísticos do país. 

“Ontem (sábado) alcançamos um momento histórico para prevenir que o Irã obtenha armas nucleares e, o mais importante, conseguimos isso pela diplomacia, sem nos arriscarmos em outra guerra no Oriente Médio”, disse Obama em pronunciamento na Casa Branca. “É um lembrete sobre o que nós podemos alcançar quando nós lideramos com inteligência, paciência e disciplina.”

As declarações do presidente foram dadas após o anúncio da retirada de duras sanções econômicas e financeiras impostas pela União Europeia e Estados Unidos ao Irã desde 2011 em virtude do programa nuclear da república islâmica. As restrições foram abandonadas após a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) certificar que o Irã está cumprindo o acordo nuclear assinado com EUA, Grã-Bretanha, China, Rússia, França e Alemanha em julho. 

Além da revogação das sanções, EUA e Irã acertaram ontem uma troca de prisioneiros que permitiu a libertação do repórter do Washington Post Jason Rezaian e mais quatro americanos detidos no Irã, além de sete iranianos presos nos EUA. 

Como parte do acordo de julho, o Irã mandou para fora do país 98% de seu urânio enriquecido e desmantelou milhares de centrífugas, além de ter desmontado seu principal reator nuclear. Em troca, terá acesso a US$ 100 bilhões em bens e ativos congelados e poderá participar de transações financeiras.

Obama ainda disse que uma futura normalização de relações é possível. “Temos uma rara oportunidade de escolher um novo caminho - diferente e com um futuro de progresso para ambos os povos e o resto do mundo. É uma oportunidade para o povo do Irã e precisamos tirar vantagem disso”, afirmou.

Punições. Apesar do otimismo com o pacto nuclear, Obama ressaltou que ainda há profundas diferenças entre Washington e Teerã e fará de tudo para monitorar o cumprimento do acordo, além de tentar punir qualquer comportamento agressivo da república islâmica. 

“Seguimos trabalhando com rapidez contra as ameaças iranianas contra Israel e o apoio ao terrorismo e agentes violentos na Síria e no Iêmen”, disse Obama. 

Sem dar detalhes, o presidente americano atribuiu as novas sanções a empresas e membros do regime ao descumprimento de regras da ONU sobre o programa balístico iraniano como exemplo desse ceticismo. Outras sanções que permanecem em vigor visam coibir abuso de direitos humanos e atividades terroristas.

Em comunicado, o Departamento do Tesouro americano anunciou que seis empresas e cinco indivíduos são alvo das sanções. Eles teriam trabalhado para obter peças que seriam usadas no programa balístico iraniano, o que foi proibido pelo Conselho de Segurança da ONU. 

“Esse programa balístico oferece uma ameaça significativa à segurança global e regional e continuará sujeito a sanções internacionais”, disse o subsecretário para terrorismo e inteligência financeira do departamento Adam J. Szubin. “Deixamos claro que os Estados Unidos pressionarão com veemência a imposição de sanções contra as atividades do Irã que estejam fora do Plano de Ação Conjunto, incluindo as relacionadas com seu apoio ao terrorismo, à desestabilização regional, aos abusos de direitos humanos e ao programa de mísseis.”

Sanções contra entidades e indivíduos têm impacto menor que as econômicas, que na prática vetavam o acesso do governo a recursos no exterior e deterioraram significativamente a economia do país. / REUTERS, EFE, WASHINGTON POST e NYT

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