Celebração em Berlim lembra vítimas do comunismo

Os 20 anos da queda do Muro de Berlim foram lembrados ontem com homenagens às vítimas do regime comunista e com agradecimentos aos líderes que ajudaram na sua derrubada, na reunificação do país e no fim da Guerra Fria. Cerca de 100 mil pessoas enfrentaram a chuva e o frio e se reuniram em frente ao Portão de Brandenburgo, numa noite de emoção e gratidão.

AE, Agencia Estado

10 Novembro 2009 | 07h50

"Às vezes, as pessoas esquecem hoje quantos não puderam sair durante anos, quantos ficaram presos", disse a chanceler alemã, Angela Merkel, com os olhos marejados, ao lado de chefes de Estado e de governo. "Antes da alegria da liberdade, muitas pessoas sofreram", acrescentou ela, originária da Alemanha Oriental.

Entre 1961, quando o Muro foi construído, e 1989, pelo menos 136 pessoas foram mortas pelos guardas alemães orientais, que tinham ordem de disparar contra quem tentasse fugir para o lado ocidental. Merkel, que cruzou a fronteira naquela noite de 9 de novembro de 1989, repetiu ontem o gesto no primeiro posto de controle aberto, a ponte da Bornholmer Strasse, ao lado do ex-líder soviético Mikhail Gorbachev. Centenas de pessoas assistiram ao ato gritando: "Gorby! Gorby!"

Dividindo seu guarda-chuva com Gorbachev, Merkel agradeceu o ex-secretário-geral da União Soviética, que, em 1989, retirou o apoio do Kremlin ao regime da República Democrática Alemã (RDA), sem o qual ela não sobreviveu. "Você tornou isso possível. Você, corajosamente, deixou as coisas acontecerem. Isso foi muito mais do que podíamos esperar."

Mil peças de isopor de 2,5 metros de altura, pintadas por 15 mil crianças e jovens, representando pedaços do Muro, formavam uma fila de 1,5 quilômetro. O ex-líder anticomunista polonês Lech Walesa, ao lado do ex-primeiro-ministro húngaro Miklos Nemeth, que permitiu a fuga de milhares de alemães orientais para a Alemanha Ocidental, empurrou a primeira peça, derrubando o "Muro" como um dominó. A data coincide com a Noite dos Cristais, quando pelo menos 91 judeus alemães foram mortos e 200 sinagogas atacadas, com a conivência das autoridades nazistas, em 1938. Por isso, não é feriado na Alemanha. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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