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CENÁRIO: A volta da campanha sangrenta em solo indonésio

- Atualizado: 14 Janeiro 2016 | 21h 36

Nos últimos dois anos, centenas de indonésios viajaram para a Síria a fim de juntar-se ao Estado Islâmico (EI). Mais de 50 foram mortos, segundo o governo indonésio

Nos últimos dois anos, centenas de indonésios viajaram para a Síria a fim de juntar-se ao Estado Islâmico (EI). Mais de 50 foram mortos, segundo o governo indonésio.  Nos últimos meses, no entanto, jihadistas indonésios parecem buscar cada vez mais alvos no próprio país. Analistas de segurança dizem que a violência de ontem na capital, Jacarta, pode indicar a volta de uma intermitente, mas sangrenta campanha – frequentemente contra símbolos ocidentais – que vem assolando a Indonésia há 15 anos.

“Nos últimos seis meses, houve um crescimento da violência na Indonésia”, diz Sidney Jones, uma especialista em terrorismo no país e diretora do Instituto de Análises Políticas de Conflitos, em Jacarta. “Nenhum dos ataques foi em reação a políticas internas. O objetivo dos terroristas é provar que grupos jihadistas estão vivos, fortes e dispostos a aplicar a agenda do EI.” 

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Em dois meses, a polícia indonésia prendeu uma dúzia de militantes suspeitos – três deles, acusados de envolvimento numa explosão na véspera do ano novo em Bandung, cidade da Ilha de Java. 

Com mais de 250 milhões de habitantes, a Indonésia é o país de maior população muçulmana do mundo, mas também tem uma tradição de tolerância com outras religiões. Apenas uma pequena fração da população é radical, segundo analistas. 

Recentemente, no entanto, a Indonésia tem vivido uma crescente tensão entre grupos moderados e de linha dura. Alguns desses grupos são pacíficos. Outros, de militantes empenhados em promover uma interpretação mais radical do Islã. 

Os islamistas violentos da Indonésia integram pelo menos três grupos pró-EI: Ansharut Daulah Islamiya, uma espécie de grupo guarda-chuva que se proclama a principal estrutura do Estado Islâmico no país; o Mujahedin da Indonésia Oriental, com base em Poso, na Ilha de Sulawesi, cujo comandante, Santoso, lidera uma força de 30 homens armados, vários da etnia uigur; e um grupo com base no centro de Java que, acredita-se, receba instruções diretamente de um combatente indonésio do EI na Síria. 

A Indonésia abriga também o reconstruído Jemaah Islamiyah, grupo acusado de vários ataques mortíferos no país. O Jemaah é contrário ao EI e apoia um grupo afiliado da Al-Qaeda na Síria, a Frente Al-Nusra. No momento, não parece interessado em violência interna. 

Ataques contra alvos ocidentais, igrejas e grupos islâmicos mais moderados têm preocupado as agências indonésias de segurança nos últimos 15 anos. O mais grave foi o atentado à bomba na ilha resort de Bali, no qual morreram mais de 200 pessoas – na maioria, estrangeiros. Áreas turísticas de Bali sofreram ataques também em 2005, com 25 mortes. 

Em 2003, um atentado no hotel JW Marriott, em Jacarta, deixou 12 mortos. O hotel foi atacado novamente em 2009, quase simultaneamente ao Ritz-Carlton de Jacarta, onde oito morreram.

Navhaata Nurniyah, outra analista do Instituto de Análises Políticas de Conflitos, calcula que 2 mil pessoas se manifestaram na Indonésia em apoio ao EI, ou juraram fidelidade ao grupo.

Alguns eram apenas “guerrilheiros de internet, não combatentes experientes”, escreveu ela na revista online Inside Indonesia. Não está claro qual foi o alvo preciso do atentado de ontem num dos pontos mais movimentados de Jacarta, onde estão, entre outros edifícios, escritórios regionais das Nações Unidas, grandes centros comerciais e hotéis cinco estrelas. Um dos locais atacados foi uma loja da rede de cafeterias Starbucks. 

“Se a Starbucks foi deliberadamente atacada, e não um posto policial próximo, terá sido o primeiro atentado (na Indonésia) contra um ícone ocidental desde as explosões nos hotéis em 2009”, disse Sidney Jones. / TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ

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