CENÁRIO: Acidente abre duas linhas de investigação

Só a leitura das informações registradas na caixa preta do jato, já localizada entre os destroços da aeronave na Península do Sinai, poderá revelar se o problema denunciado pelo chefe do voo poderia ter sido detectado antes da partida

Roberto Godoy , O Estado de S. Paulo

31 Outubro 2015 | 15h05

O acidente com o Airbus-321 da Kogalym Aviation abre dois vieses de investigação - a bastante provável falha da máquina ou o erro de decisão do piloto, que havia comunicado ao controle de operações a ocorrência de dificuldades técnicas. Embora houvesse decolado rumo a São Petesburgo apenas 23 minutos antes da queda, o comandante pretendia fazer um pouso de emergência com o jato lotado. Não teve tempo.

Só a leitura das informações registradas na caixa preta do jato, já localizada entre os destroços da aeronave na Península do Sinai, poderá revelar se o problema denunciado pelo chefe do voo poderia ter sido detectado antes da partida, no aeroporto do elegante balneário egípcio de Sharm-el-Sheik.

A configuração da Kogalimavia para seus quatro A-321 é de alta densidade - são 222 poltronas em classe única, separadas em dois blocos por um corredor central. Hoje, havia 217 passageiros e 7 tripulantes a bordo. A viagem deveria durar seis horas. O primeiro serviço de copa - chá siberiano, leite e biscoitos sortidos - começaria a ser servido em 10 minutos, de acordo com a rotina de procedimentos da empresa, que opera sob outros dois nomes, Metrojet e Kolavia.

O acidente de hoje foi o 12º havido com a companhia desde a sua criação, na Sibéria, em 1993. Entre eles, o acidente com o voo TAM 3054, em 2007, em São Paulo, que matou 199 pessoas. Atualmente, a maior estrutura administrativa do grupo fica no terminal de Domodedovo, em Moscou.

O A-321 é considerado "confiável e bom de voar", por um comandante da brasileira TAM, dona de 96 unidades e a espera das entregas pelo fabricante de outras 24 (no País, a Avianca emprega 25 e a Azul comprou, mas ainda não recebeu, 35 desses modelos). O piloto lembra da atenção especial que deve ser dedicada na manutenção rotineira do jato, à integração da rede eletro-eletrônica-hidráulica. Para ele, "não é uma fragilidade, mas é uma peculiaridade que deve ser atendida". 

O avião da Presidência da República usado em rotas longas desde a administração de Luis Inácio Lula da Silva é um A-319, o arranjo executivo da aeronave. O A-321 foi o primeiro da sua classe a incorporar o sistema digital de controle de voo fly-by-wire, e o side stick, dispositivo de pilotagem semelhante à pequena coluna  adotada em jogos eletrônicos. 

Até julho, a Airbus estimava a produção em cerca de 6.630 aeronaves, desde 1988, a um custo de US$ 115 milhões a unidade. De médio porte, o jato mede 38 metros, tem 34 m de envergadura e cobre a distância de 6.100 km à velocidade de cruzeiro de 830 km/hora.

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