Mark Kulaw/Northwest Florida Daily News via AP
Mark Kulaw/Northwest Florida Daily News via AP

Cenário: Carga de 8,5 toneladas arrasa tudo em um raio de 1,5 km

Uso da arma pesada eleva o patamar das ações militares americanas no Afeganistão na guerra ao terror

Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

14 Abril 2017 | 05h00
Atualizado 14 Abril 2017 | 05h00

A GBU-43B, a “mãe de todas as bombas” (Moab - Massive Ordnance Air Blast ), não está sozinha – a Rússia tem o “pai das bombas” (Foab), e garante que é ao menos quatro vezes mais poderosa.

Ambas são armas tremendas. Foram criadas em épocas diferentes para serem usadas no mesmo teatro de operações, as montanhas do Afeganistão, com suas cavernas, muitas interligadas por uma imensa rede de túneis. Um abrigo de granito, blindado contra ataques externos, em uso há mais de 30 anos pelos radicais do Estado Islâmico e do Taleban.

Nenhuma das duas versões havia sido utilizada até ontem, quando o presidente Donald Trump autorizou o lançamento de uma das 16 unidades estocadas no arsenal do Pentágono. 

O efeito é o de um pequeno terremoto. A rigor, a Moab é despejada pela rampa traseira de um grande cargueiro Hércules MC-130, extraída por um paraquedas que funciona como um moderador do ritmo inicial de descida. Quando o grande tubo metálico, de um metro de diâmetro e pouco menos de 10 metros de comprimento, entra no ângulo correto de queda, o redutor de velocidade se desprende e o navegador GPS entra em ação. 

A 50 metros de altura o detonador de altitude faz explodir os 8,500 toneladas de HE6, explosivo devastador. O modelo russo seria ainda maior, com 44 toneladas. Na área atingida, um raio de 1,5 km, resta pouco. A onda de choque provoca o desabamento das paredes dos salões e do revestimento das passagens subterrâneas.

Por segundos, o oxigênio do ambiente é queimado. O impacto é terrível – até a noite de ontem, em Anchin, o alvo da GBU-43B, no Distrito de Nangarhar, não era possível saber se havia mortos ou feridos. O ataque foi realizado às 19h32 de quarta-feira. Uma semana antes, Trump havia ordenado uma ação punitiva na Síria, disparando 59 mísseis Tomahawk contra base aérea de Sharyat. 

O uso da arma pesada eleva o patamar das ações militares americanas no Afeganistão na guerra ao terror, iniciada após o ataque às torres gêmeas de Nova York, em 2001. A luta já dura cerca de 16 anos. A Moab foi disparada, não por acaso, sobre o complexo jihadista onde, no dia 8, morreu o sargento Marcos “Mark” de Alencar, da infantaria especial Boina Verde.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.