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Apesar de acordo, governo Rohani ainda corre riscos no Irã

Aainda não está claro se os benefícios esperados bastarão para assegurar um futuro a Rohani e um Irã mais moderado e pragmático

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Joby Warrick / Washington Post,
O Estado de S. Paulo

18 Janeiro 2016 | 02h00

WASHINGTON  - Quando os eleitores iranianos elegeram Hassan Rohani, em 2013, escolheram um reformador que prometia o fim do terrível sofrimento imposto pelas sanções internacionais. No sábado, Rohani cumpriu sua promessa, garantindo o tão aguardado alívio econômico de que o Irã tanto precisa, e ao qual os inimigos do país desesperadamente se opunham.

Entretanto, ainda não está claro se os benefícios esperados bastarão para assegurar um futuro à sua presidência e  um Irã mais moderado e pragmático.

Economistas e especialistas estimam que pode levar meses para que o iraniano comum sinta os efeitos benéficos do fim das sanções, o que poderá minar a popularidade de Rohani e enfraquecer sua posição. Até lá, ele terá de travar uma batalha contra a linha-dura no seu governo. Além disso, continuará a lutar ferozmente contra a queda vertiginosa do petróleo, que poderá apagar muitos dos ganhos conseguidos por Rohani por meio das negociações.

“Amigos do governo e da Guarda Revolucionária aproveitarão imediatamente do levantamento das sanções, mas serão necessários anos para que seja possível avaliar até que ponto os benefícios serão sentidos pelo setor privado independente e pela sociedade civil do Irã”, disse Karim Sadjadpour, analista iraniano junto ao Carnegie Endowment for International Peace. “Os que como Rohani pretendem colocar os interesses econômicos do Irã à frente da ideologia revolucionária ganharam há muito tempo a guerra de ideias. O problema é que seus adversários de linha-dura detêm o monopólio da coerção e podem utilizá-la”.

Alguns analistas acreditam que o pacto nuclear - comemorado por milhões de iranianos comuns - ajude os políticos favoráveis a Rohani a se fortalecerem nas eleições parlamentares do próximo mês. “O momento parece favorável aos centristas e reformistas neste momento”, disse Clifford Kupchan, da Eurasia Group, empresa de consultoria sobre risco global. 

Entretanto, o entusiasmo será de curta duração se a economia não avançar. Embora as sanções tenham contribuído para o declínio econômico do país, outras forças - como os preços do petróleo numa baixa histórica, a corrupção oficial e um sistema bancário falido - continuarão atuando como um tremendo obstáculo para o progresso fiscal do país. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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