AFP PHOTO / JUAN BARRETO
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Cenário: na Venezuela, a vida vale pouco e morrer sai caro

“Meu irmão era um homem decente”, disse com tristeza Julio Andrade, enquanto esperava no necrotério de Caracas a chegada do corpo do irmão mais velho. O cadáver de Rubén Dario, de 55 anos, fora encontrado dois dias antes numa rodovia perto da cidade. Havia sido sequestrado e morto. O sofrimento da família, porém, não acabava ali. “Além da dor desta situação terrível, temos de enfrentar o preço do funeral”, queixou-se Andrade. 

Mariana Zuñiga / WPOST, O Estado de S. Paulo

16 Junho 2016 | 05h00

Na Venezuela, a vida vale pouco, e morrer sai caro. Segundo o Observatório Venezuelano da Violência, houve quase 28 mil homicídios no país em 2015, dos quais 5.250 na capital. Caracas é a mais violenta das grandes cidades do mundo, segundo levantamento anual da ONG mexicana Conselho de Cidadãos para Segurança Pública e Justiça Criminal.

Num país em que a inflação galopou para 700% e a economia encolheu 10% em 2015, a população luta para pagar por comida, remédio e outras necessidades. Com a escassez de muitos produtos e uma moeda desvalorizada, tudo ficou mais caro. Enterros não são exceção. 

Para organizar um funeral e sepultamento decentes, uma família precisa de pelo menos 400 mil bolívares - cerca de US$ 400 no mercado paralelo, que determina o preço de quase tudo para a maioria dos venezuelanos. A quantia é astronômica para a Venezuela, onde o salário mínimo é de 15 mil bolívares - ou US$ 15. As funerárias também enfrentam dificuldades, pois as pessoas nunca conseguem pagar a conta. / TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ 

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