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EFE/Jim Lo Scalzo

CENÁRIO: Nunca diga nunca

Quanto mais avança a candidatura de Donald Trump, mais Hillary Clinton é vista como alternativa viável, em uma campanha que já apresenta certezas antes da eleição geral

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Lúcia Guimarães,
O Estado de S. Paulo

02 Março 2016 | 08h05

Na reunião, convocada às pressas, a pauta não era endossar um candidato. Era combater o favorito. Enquanto as urnas estavam abertas em 12 Estados americanos, um grupo de empresários simpatizantes do Partido Republicano fez uma conference call para discutir mais um plano que pudesse deter o empresário e pré-candidato Donald Trump. Discutiram uma fórmula que impedisse Trump de obter o número de delegados (1237) para ser consagrado na convenção de julho, em Cleveland, Ohio. Mais anúncios de TV? Mais investigação sobre o duvidoso passado do empresário que declarou quatro falências, segundo ele, para se aproveitar do sistema?

Na contagem final, Trump levou 8 dos 13 Estados e garantiu 285 delegados na primária da Superterça. Detalhes da reunião de empresários foram revelados por duas fontes anônimas à repórter Maggie Haberman, do The New York Times. A preocupação, antes de resultados que confirmaram a anemia das candidaturas de Marco Rubio e Ted Cruz, era reunir bastante poder de fogo em torno de um super PAC. Eles são os Comitês de Ação Política - Frankensteins de financiamento de campanha, que não param de crescer desde que a Suprema Corte abriu as porteiras para o dinheiro ilimitado nas eleições com uma decisão em 2010.

A vitória de Trump nas eleições primárias da Superterça, em Estados do Sul e do Nordeste, confere ao empresário legitimidade entre constituintes de grupos mais diversos. Trump costuma dominar entre eleitores brancos com menos educação. Sua vitória em Massachusetts contou com eleitores moderados, mais bem educados e menos religiosos de classe média.

Os quatro outros candidatos republicanos que se recusam a sair do páreo são Marco Rubio, Ted Cruz, Ben Carson e o azarão moderado Johan Kasich. Nenhum quer, no momento, se oferecer ao sacrifício de possível nomeação para vice-presidente. Mas as negociações de bastidores, desta vez, acontecem com um pano de fundo sem precedentes: Um renegado está marchando, sem desafio, para a convenção republicana.

E não devemos desprezar a quebra de tabus entre os democratas. Nenhuma mulher, na história dos Estados Unidos, chegou tão perto de ser nomeada candidata do Partido Democrata como Hillary Clinton, Ela dominou em sete Estados, a maioria no Sul, mas também em Massachusetts, no Nordeste, que é território de Bernie Sanders. O senador ganhou em três Estados, além de seu Estado de Vermont, um resultado que deve manter Sanders dando trabalho a Hillary Clinton no campo democrata.

A ex-secretária de Estado não será coroada, como queriam evitar seus críticos. Quanto mais avança a candidatura Trump, mais Hillary Clinton é vista como alternativa viável, em uma campanha que já apresenta certezas antes da eleição geral. O furacão Donald Trump, um candidato inicialmente ridicularizado, usurpou o controle de seu partido sobre o processo eleitoral. O investimento maciço de doadores em candidatos considerados dóceis e viáveis como Jeb Bush se revelou desastroso. E o establishment, seja ele democrata ou republicano, não pode mais contar com apoio tácito de eleitor algum.

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