Jose Goitia/The New York Times
Jose Goitia/The New York Times

Cenário: O legado do líder

Mesmo os próprios esquerdistas têm pouco interesse em revoluções armadas; a influência cubana na região, no entanto, persiste

Dom Phillips e Joshua Partlow / W. POST, O Estado de S. Paulo

01 Dezembro 2016 | 05h00

Os laços políticos e econômicos de muitos países latino-americanos com Cuba se enfraqueceram, tanto em razão de uma dolorosa recessão na região quanto à rejeição dos eleitores a governos de esquerda. Mesmo os próprios esquerdistas têm pouco interesse em revoluções armadas. A influência cubana na região, no entanto, persiste.

Quando as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) precisaram nos últimos anos de um lugar para conversações de paz com os líderes colombianos, após meio século de guerra civil, esse lugar foi Havana. Enquanto a maré de governos esquerdistas que agitou a América Latina retrocedia no início dos anos 2000, com líderes conservadores chegando ao poder, seguidores de Fidel continuavam sendo uma força na região.

Pode-se ainda ver a sombra do líder revolucionário em países como a Bolívia de Evo Morales e o Equador de Rafael Correa. Poucos lugares ainda tentam seguir seu sistema econômico de inspiração soviética. Uma exceção é a Venezuela, que instituiu seu modelo socialista com a chegada ao poder de Hugo Chávez, em 1999. Quando Chávez morreu, em 2013, Fidel o descreveu como “o melhor amigo que Cuba já teve”.

O governo chavista pautou em Cuba seus programas de saúde e alfabetização. Enquanto a Venezuela fornecia petróleo barato à ilha, médicos e professores cubanos atendiam à população venezuelana. 

O forte subsídio do governo Chávez a produtos ajudou os venezuelanos pobres enquanto duraram os tempos de grandes receitas com petróleo. Ficou difícil manter os subsídios depois que o preço do óleo despencou. O país vem vivendo extrema escassez, inflação crescente e inquietação social. O sucessor de Chávez, Nicolás Maduro, luta contra a tentativa da oposição de tirá-lo da presidência.

Em outras partes da América Latina, a influência de Fidel tem sido mais simbólica. No México, ativistas estudantis ainda usam boinas e camisetas com retratos de revolucionários cubanos, mas Fidel já era visto por políticos locais mais como um amigo conveniente do que alguém a imitar. O México reconheceu o regime, enfrentando dura resistência dos EUA.

“Sempre houve essa ideia na diplomacia mexicana de apoiar causas antiamericanas para melhorar o poder de negociação com os EUA”, diz Ilán Semo, da Universidade Ibero-americana, na Cidade do México. Embora Cuba fomentasse rebeliões em outros países, Fidel resistiu a fazer isso no México. / TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ

*SÃO JORNALISTAS

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