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Sean Rayford/Getty Images/AFP

Cenário: tempo para barrar Trump está acabando

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Dan Balz

10 Março 2016 | 05h00

A campanha presidencial republicana entrou naquela que pode ser a semana mais crítica das prévias, com a elite do partido quase sem tempo para impedir a indicação do bilionário nova-iorquino Donald Trump sem uma potencial luta sangrenta na convenção nacional de julho.

As vitórias fáceis de Trump em Michigan e no Mississippi mostraram que ele atrai eleitores do Sul profundo ao Meio-Oeste industrial em sua jornada vitoriosa, acrescentando mais delegados a sua liderança. Embora não inesperada, sua vantagem - especialmente em Michigan - foi maior do que o previsto pelos adversários.

Até agora, os oponentes, em comparação, tiveram apenas vitórias esparsas, nada que constitua uma massa crítica para deter Trump. O senador Ted Cruz, do Texas, vem se saindo melhor que o governador de Ohio, John Kasich, ou que o senador Marco Rubio, da Flórida, mas nenhum deles ainda emergiu sozinho como força suficiente para brecar Trump. Cruz parece ser o mais bem posicionado para o papel.

Depois de terça-feira, a estratégia de curto prazo do movimento anti-Trump baseia-se em dois candidatos e dois Estados: Kasich em Ohio e Rubio na Flórida. Mas a terça mostrou que nada é certo daqui para a frente. Kasich ainda não venceu nenhuma disputa e buscava um resultado forte em Michigan para pegar embalo. Em vez disso, ficou bem atrás de Trump e competiu com Cruz pelo segundo lugar.

Enquanto isso, a terça-feira deu continuidade à súbita e rápida queda de Rubio. Poucas semanas atrás, era o favorito do establishment, visto como o mais bem posicionado para desafiar Trump. Hoje, é um candidato batido. Em Michigan, Rubio estava perto de chegar a dois dígitos no voto popular. Foi um feito se comparado a seu desempenho no Mississippi, onde ficou parado em um dígito, ao lado de Kasich. Enquanto Trump ganhava fácil, Cruz superou os outros dois e terminou em segundo.

Não se descarta que Kasich e Rubio possam vencer em seus Estados na próxima semana, mas depois da terça-feira, vão enfrentar uma disputa difícil, não apenas da parte de Trump. Cruz também vê vulnerabilidades nos rivais e vai procurar explorá-las.

Tudo isso ocorre apesar dos sinais de que Trump, que dominou a corrida republicana e definiu o ciclo de 2016 com sua retórica bombástica e estilo pouco ortodoxo de campanha, começa a mostrar fraqueza e limitações. Nas pesquisas nacionais, sua vantagem é menor do que já foi. Quase metade dos republicanos diz que não ficará satisfeita se ele for o indicado, segundo a última pesquisa Washington Post-ABC News. Seu índice de favoritismo entre os republicanos, embora ainda claramente positivo, diminuiu nos últimos meses. E num mano a mano contra Cruz e Rubio, ele perde, segundo a mesma pesquisa.

Apesar disso, Trump está muito próximo dos 1.237 delegados necessários para ganhar a indicação. Perdas em Ohio e na Flórida poderão tirar dele 165 delegados. Mas sua vitória em um ou nos dois anularia os esforços para impedi-lo de ser o indicado.

A possibilidade de uma disputa na convenção ainda é real. Até a noite de terça-feira, mais de mil delegados foram definidos. Após a próxima terça, esse número saltará para quase 1.500 - de um total de 2.472. Trump ainda pode perder num primeiro turno, mas qual dos rivais estaria perto o suficiente para reivindicar o direito de se apresentar como alternativa?

As perspectivas de Rubio caíram dramaticamente. Ele precisa de uma estonteante virada, começando na Flórida. Kasich pode vencer em Ohio. Cruz e seus estrategistas há muito acreditam que uma disputa apertada o favoreceria contra Trump. Mas uma olhada no calendário depois da próxima semana levanta dúvidas. Até agora, tirando sua vitória no Texas, ele vem tendo problemas em demonstrar que seu apoio é mais amplo que o de sua base evangélica.

Cruz pode vencer em algumas disputas menores. Seu verdadeiro teste será em Estados como Wisconsin, Nova York, Connecticut, New Jersey e Califórnia.

Trump é um favorito incomum - polarizando no próprio partido e com vulnerabilidades mais aparentes a cada semana. Caso ele se saia mal na próxima semana ou depois disso, as forças contrárias estarão empenhadas em continuar seus ataques. A esperança delas consiste em mantê-lo sem maioria e então derrubá-lo em Cleveland em julho. Mas precisariam de um resultado melhor na terça do que tiveram. Trump continua no controle da disputa. / TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ

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