CENÁRIO: Visões antagônicas sobre o futuro do ensino gratuito

O futuro da gratuidade universitária impulsionada pela presidente socialista Michelle Bachelet dependerá do vencedor da eleição de domingo entre o empresário Sebastián Piñera e o jornalista de esquerda Alejandro Guillier. 

Paulina Abramovich, AFP

15 Dezembro 2017 | 05h00

Piñera é partidário de manter a gratuidade só para os cerca de 260 mil beneficiários atuais (14% dos matriculados na universidade). Guillier espera ampliar o benefício aos 70% com menos recursos e apoia um projeto de lei que se tramita no Congresso e estabelece parâmetros de crescimento econômico para chegar à gratuidade universal até 2020. 

Em 1981, a ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990) criou uma Lei Orgânica de Educação que possibilitou a criação de universidades privadas y desmantelou a educação pública gratuita. Desde então, nenhum universitário chileno pôde voltar a estudar grátis, devendo recorrer a créditos para financiar seus estudos.

Em um país que neste ano só crescerá 1,4% – seu menor registro em oito – é possível garantir gratuidade a quase um milhão de universitários? Piñera não crê que o Estado deva financiar a educação dos mais ricos e afirma que “coisas grátis geram menor compromisso”. Em uma flexibilização em relação ao primeiro turno, entretanto, ele prometeu gratuidade para 90% do alunos de institutos técnicos. Outro tema central são as dívidas de US$ 8 bilhões em crédito educativo. Guillier pretende perdoar a dívida dos 40% mais pobres. Piñera só aceita reduzir os juros. 

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