1. Usuário
Assine o Estadão
assine
  • Comentar
  • A+ A-
  • Imprimir
  • E-mail

CENÁRIO: Vitória de Macri tem grande impacto na América Latina

- Atualizado: 25 Janeiro 2016 | 20h 17

Embora de início tenha apenas tentado que fosse aplicada a Nicolás Maduro a cláusula democrática do Mercosul, apenas a ameaça já condicionou a posição do Brasil e colocou o presidente bolivariano em posição defensiva

A vitória de Mauricio Macri pôs fim ao longo ciclo kirchnerista. A notícia não só causou impacto na Argentina, mas também nas relações regionais e no âmbito do hemisfério. A profundidade das mudanças ocorridas, e das que ainda ocorrerão, varia também em função da área afetada, mas é provável que ocorram transformações importantes segundo o tamanho do país e a projeção internacional que o novo dirigente quer dar à Argentina.

Para começar, o governo deu uma guinada nas suas relações com a Venezuela. Embora de início tenha apenas tentado que fosse aplicada a Nicolás Maduro a cláusula democrática do Mercosul, apenas a ameaça já condicionou a posição do Brasil e colocou o presidente bolivariano em posição defensiva.

Dilma cumprimenta Mauricio Macri, que tomou posse na Argentina no fim de 2015

Dilma cumprimenta Mauricio Macri, que tomou posse na Argentina no fim de 2015

Mas na Cúpula do Mercosul, em 21 de dezembro, Macri foi contundente quanto aos presos políticos venezuelanos. Após qualificar como um “avanço” o reconhecimento por Caracas do triunfo da oposição nas eleições, destacou: “Nos Estados-membros do Mercosul não pode haver lugar para perseguição política por razões ideológicas nem a privação ilegítima da liberdade pelo fato de se ter um pensamento distinto.”

É possível que, esperando uma reação desse tipo, Maduro anunciou na última hora que não compareceria ao encontro, o que não o impediu de criticar seu colega, acusando-o de ser “burguês de elite, uma opção ultradireitista e neoliberal”. Diante da ausência de Maduro, a chanceler Delcy Rodríguez liderou a delegação venezuelana e fez uma intervenção sem brilho, acusando com dados falsos a política de direitos humanos de Macri. Embora Dilma Rousseff não aprecie que o chavismo seja criticado publicamente, na ocasião, teve de ceder para evitar uma discussão aberta sobre a situação dos presos políticos na Venezuela e a aplicação da cláusula democrática.

Amanhã, começará em Quito a 4.ª Reunião de Cúpula da Comunidade dos Estados Americanos e do Caribe (Celac), que deve contar com a presença de Maduro e da maioria dos mandatários da região. Macri não comparecerá, por recomendação médico. Portanto, os dois mandatários continuarão sem se defrontar. Apesar de não existir a ameaça de se requerer a aplicação da cláusula democrática, não é improvável que a vice-presidente argentina, Gabriela Michetti, ou algum outro presidente, volte a suscitar a questão. Será interessante ver como reagirão alguns governos da região que até agora evitaram criticar abertamente Hugo Chávez ou Maduro na cúpula da Celac. Tanto a condenação de Leopoldo López quanto o desenlace do processo eleitoral permitiram algumas declarações um pouco mais audaciosas do que no passado. Isso permite especular sobre a possibilidade de que, em Quito, veremos mais críticas à Venezuela.

A mudança na política externa argentina começou na América Latina, colocando Brasil e Mercosul como prioridades essenciais. A aproximação de Dilma Rousseff, do uruguaio Tabaré Vázquez e do paraguaio Horacio Cartes marca grande diferença com relação ao kirchnerismo. Provavelmente, não veremos discursos incendiários. Tudo indica que o novo governo argentino aposta numa revalorização da diplomacia, com tudo o que isso implica. Mas o que for dito nas próximas semanas, ao lado de alguns silêncios, dará a pauta do que pode ser o início de uma mudança importante nas relações regionais. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

Comentários

Aviso: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Estadão.
É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O Estadão poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os criterios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.

Você pode digitar 600 caracteres.

Mais em InternacionalX