Centro-direita retoma poder na Itália, segundo pesquisas

O magnata e líder direitista Silvio Berlusconi liderava as eleições gerais italianas, segundo projeções do instituto Abacus, divulgadas na madrugada dessa segunda-feira (na Itália). As pesquisas dão vantagem para a coalizão de centro-direita Casa das Liberdades sobre a coalizão de centro-esquerda Olivo nas duas casas do Parlamento. Na Câmara, a frente de Berlusconi chegaria a 46% dos votos em comparação com os 43,1% da coligação de Francesco Rutelli - uma diferença de apenas 3%. No Senado, a Casa das Liberdades somaria 43,7% e a Olivo, 39,1% - uma diferença de 4%.Com base nesses resoltados, mesmo apertados, Berlusconi conquistaria maioria parlamentar para governar o país. "Tratando-se de projeção não oficiais é melhor ter mais cautela, pois segundo nossas pesquisas a diferença não é exatamente essa", disse o porta-voz da Olivo, Pietro Folena, lembrando erros de avaliação de pleitos anteriores. Na opinião de analistas, a extenuante campanha eleitoral centralizada na figura do líder da direita - tática que ele mesmo elaborou - garantiu ao magnata italiano um grande sucesso pessoal. Até as críticas da imprensa internacional - como seus seguidores haviam previsto - acabaarm por favorecê-lo. A Força Itália, fundada em 1994 por Berlusconi, confirma-se como o principal partido italiano, tendo obtido, segundo as pesquisas, 32% dos votos. Os outros grupos que formam a Casa das Liberdades - dos ex-democrata-cristãos aos neofascistas - perderam um pouco de terreno. Como se esperava, ocorreu uma espécie de referendo a favor do cavaliere Berlusconi, que, com base nos dados das pesquisas, nem precisaria do apoio da Liga do Norte para governar. O partido separatista e xenófobo de Umberto Bossi, que fez cair o primeiro governo Berlusconi em 1994, teria obtido apenas 3,2% dos votos. Dono de um império que compreende três canais de televisão, a maior casa editorial do país (Mondadori), uma produtora e distribuidora de cinema, uma financeira e empresas de construção civil, além de um clube de futebol, o Milan, Berlusconi deverá ser o novo primeiro-ministro da Itália nos próximos cinco anos. A primeira sessão do novo Parlamento ocorrerá no dia 30 e, logo em seguida, o presidente da república designará o novo chefe do governo. Contrariando as previsões, o bipolarismo ficou reforçado. Os grandes derrotados foram as pequenas agremiações - os chamados não-alinhados, que precisavam de pelo menos 4% para sobreviver. Os movimentos do ex-primeiro-ministro Giulio Andreotti, do ex-juiz Antonio Di Pietro e da ex- comissária européia Emma Bonino ficaram abaixo da média e, portanto, sem representação no Parlamennto. Dos partidos menores , o único que superou o limite dos 4% foi Refundação Comunista. O intenso calor que atingiu o país não influiu na corrida às urnas. A participação do eleitorado foi considerada a mais importante desde 1948. Problemas de organização acabaram resultando em filas enormes. As pessoas tiveram de esperar em alguns casos até três horas. Muita gente acabou voltando para casa sem votar. Em algumas cidades havia cinco cédulas para cada eleitor. É que, além de eleger deputados e senadores, os italianos votaram para prefeito, caso de Roma, Nápoles e Milão.

Agencia Estado,

13 Maio 2001 | 21h07

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