Miguel Gutiérrez/EFE
Miguel Gutiérrez/EFE

Cerca de 90% dos venezuelanos consideram que situação no país está ruim

77% dos entrevistados acreditam que cenário será ainda pior nos próximos seis meses; desabastecimento de bens básicos e alto custo de vida são os problemas que mais preocupam

O Estado de S.Paulo

24 Fevereiro 2017 | 15h37

CARACAS - Nove em cada dez venezuelanos consideram que as coisas em seu país "vão mal", e a maioria pensa que ainda vão piorar, segundo uma pesquisa divulgada nesta quinta-feira, 24.

A marcha da Venezuela é percebida negativamente por 90% dos consultados pela empresa Datos, e 77% acreditam que sua situação será pior nos próximos seis meses.

A pequisa, contratada pela Câmara Venezuelana-Americana de Comércio e Indústria (Venamcham), estabeleceu ainda que 95% dos entrevistados percebem que sua situação econômica é pior hoje do que há um ano. O desabastecimento de bens básicos e o alto custo de vida são os problemas que mais preocupam.

Nos últimos anos, essas inquietações desbancaram a insegurança pessoal como o principal problema, especialmente a partir de 2014, quando a queda dos preços do petróleo agravou a crise econômica.

Para 93% dos consultados, sua renda é suficiente para adquirir metade ou menos da metade dos produtos de que necessitam para viver. Cerca de 48% disseram que têm acesso a "muito poucas coisas". Enquanto isso, 94% destacaram a compra de comida entre seus principais gastos.

O pessimismo também se reflete na quantidade de pessoas dispostas a emigrar, especialmente as mais jovens: 77% dos consultados entre 18 e 21 anos asseguraram que sairiam da Venezuela se tivessem a oportunidade. Cerca de 67% das pessoas de 22 a 35 anos alegam que fariam o mesmo. Ao menos 1,2 milhões de venezuelanos emigraram nos últimos 15 anos, segundo o sociólogo Tomás Páez, que investiga o fenômeno.

Durante um fórum sobre perspectivas econômicas organizado por Venamcham, no qual foi apresentado o estudo, o diretor do instituto de pesquisas Datanálisis, Luis Vicente León, previu uma queda do consumo neste ano. "Em 2017, o problema (para os empresários) não é ter produtos, mas vendê-los, porque o consumidor não tem poder aquisitivo", destacou.

Os venezuelanos sofrem com a inflação mais alta do mundo, projetada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) em 1.660% para 2017, e uma intensa escassez de alimentos básicos e medicamentos.

A pesquisa da Datos entrevistou 2,1 mil pessoas entre 11 e 30 de janeiro deste ano em 44 cidades com população superior a 50 mil habitantes. A margem de erro da enquete é de 2,15% e o nível de confiança é 95%. / AFP

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