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Cerco na Síria pode deixar milhares sem comida, diz ONU

- Atualizado: 09 Fevereiro 2016 | 12h 41

Forças oficiais sírias, apoiadas pelos ataques aéreos da Rússia e por combatentes do Irã e do grupo libanês Hezbollah, lançaram uma grande operação na região interiorana ao redor de Alepo, que está dividida entre o governo e os rebeldes há anos

GENEBRA - Centenas de milhares de civis podem ficar sem suprimentos de comida se as forças do governo da Síria tiverem sucesso em sua ofensiva para cercar áreas rebeldes da cidade de Alepo, declarou a Organização das Nações Unidas (ONU) nesta terça-feira, 9, alertando para uma nova fuga em massa de refugiados.

As forças oficiais sírias, apoiadas pelos ataques aéreos da Rússia e por combatentes do Irã e do grupo libanês Hezbollah, lançaram uma grande operação na região interiorana ao redor de Alepo, que está dividida entre o governo e os rebeldes há anos.

Campo de refugiados sírios na fronteira com a Turquia 

Campo de refugiados sírios na fronteira com a Turquia 

O ataque para retomar Alepo, outrora a maior cidade da Síria com 2 milhões de habitantes, equivale a uma das mais importantes reviravoltas nos cinco anos de guerra civil, que já matou 250 mil pessoas e expulsou 11 milhões de suas casas.

A ONU teme que o avanço das forças do governo interrompa o último elo entre as porções de Alepo dominadas pelos rebeldes e a principal passagem de fronteira turca, que há muito tempo vem servindo como o único meio de sobrevivência dos ocupantes de territórios em mãos dos insurgentes.

"Se o governo da Síria e seus aliados cortarem a última rota de fuga remanescente no leste da cidade de Alepo, isso deixaria até 300 mil pessoas que ainda residem na cidade privadas de ajuda humanitária, a menos que um acesso pela fronteira possa ser negociado", afirmou o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Unocha, na sigla em inglês) em um boletim urgente.

"Se os avanços do governo da Síria ao redor da cidade continuarem, conselhos locais da cidade estimam que entre 100 e 150 mil civis podem fugir rumo a Afrin e ao oeste do interior do governorato de Alepo."

O Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas (PMA) disse em um comunicado que começou a distribuir comida na cidade síria de Azaz, próxima da divisa turca, para a nova leva de pessoas desabrigadas pelos combates. "A situação é bastante volátil e fluida no norte de Alepo, as famílias estão se deslocando em busca de segurança", afirmou Jakob Kern, diretor do PMA responsável pelo abastecimento do interior da Síria.

Crianças brincam em campo de refugiados sírios na fronteira com a Turquia 

Crianças brincam em campo de refugiados sírios na fronteira com a Turquia 

Turquia. Desde o início da ofensiva das forças do regime, milhares de sírios estão se deslocando para a fronteira com a Turquia. Sem permissão para entrar em território turco, porém, eles se aglomeram cada vez mais nas passagens entre os dois países. 

O primeiro-ministro turco, Ahmet Davutoglu, afirmou nesta terça-feira que cerca de 70 mil pessoas que fugiram dos bombardeios e combates de Alepo estão na fronteira. Segundo ele, Ancara está enviando ajuda humanitária para essas pessoas. 

"Há 70 mil pessoas vivendo agora nos acampamentos ao longo da fronteira. Se as operações militares continuarem assim, em breve chegarão outros 70 mil", advertiu o chefe do governo em um discurso perante o grupo parlamentar de seu partido, o islamita AKP. 

Davutoglu afirmou ainda que "90% das bombas russas estão caindo sobre civis". Segundo ele, o país está repetindo o que fez o Exército soviético ao invadir o Afeganistão, mas depois teve de se retirar.

A Turquia administra há muito tempo oito acampamentos de tendas de campanha em solo sírio, que com esta nova onda de refugiados atingiu sua capacidade. Desde o início do conflito, a Turquia já recebeu cerca de 2,5 mihões de refugiados sírios em seu território. 

A agência estatal de gestão de emergências (AFAD) prepara-se para receber cerca de 100 mil pessoas em 26 zonas de amparo em solo turco, no caso de Alepo cair em mãos das forças do presidente Assad, informou o jornal Hürriyet.

Um relatório conjunto das ONGs PAX, holandesa, e The Syria Institute, americana, afirma que mais de 1 milhão de sírios estejam vivendo sob cerco em 46 cidades depois de quase cinco anos de guerra. A situação, segundo elas, é muito mais grave do que estima a ONU. "Há mais de 1 milhão de sírios que vivem sitiados em vários lugares de Damasco e sua região, assim como em Homs, Deir Ezor e na província de Idlib", disseram.

Ataque. Na capital do país, Damasco, um ataque com um carro-bomba matou 9 e deixou 20 feridos. A autoria do atentado foi reivindicada pelo grupo terrorista Estado Islâmico (EI), na internet. O EI afirmou no comunicado que um suicida identificado como Abu Abdul Rahman al Shami detonou os explosivos do carro-bomba no meio do Clube de Oficiais da Polícia da região de Masaken Barze, que descreveu como "um quartel de oficiais criminosos nusairíes" (alauitas, seita à qual pertence o presidente sírio, Bashar Assad).

A organização radical afirmou que a explosão deixou 20 mortos e 40 feridos. Por sua parte, o Observatório Sírio de Direitos Humanos rebaixou o número de vítimas a 9 policiais mortos nessa área, localizada no nordeste de Damasco.

A ONG detalhou que um veículo carregado com explosivos conduzido por um suicida disfarçado de integrante dos corpos de segurança explodiu na entrada do Clube dos Oficiais da Polícia. 

Por sua vez, uma fonte do Ministério do Interior disse à emissora de televisão estatal síria que um veículo carregado com explosivos tentou invadir o Clube dos Oficiais da Polícia, mas os guardas do local impediram, e um suicida que estava a bordo do carro detonou a bomba. Esta fonte disse que há mortos e feridos no ataque, mas não deu mais detalhes.

O correspondente da emissora acrescentou que atualmente o edifício do clube de oficiais serve de alojamento para deslocados internos pelo conflito. / AFP, EFE e REUTERS

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