Chade e Níger atacam o Boko Haram após grupo aderir ao EI

Países iniciaram ataques aéreos e terrestres para recuperar áreas perto da fronteira da Nigéria cotroladas pelos rebeldes

LAGOS, NIGÉRIA, O Estado de S.Paulo

09 Março 2015 | 02h06

Os Exércitos do Níger e do Chade lançaram ontem uma ofensiva aérea e terrestre contra o Boko Haram - que luta para implementar a sharia (lei islâmica) no norte da Nigéria -, no noroeste da Nigéria, um dia de o grupo rebelde anunciar sua lealdade aos extremistas do Estado Islâmico (EI) que atuam no norte do Iraque e da Síria.

"Podemos confirmar que forças do Chade e do Níger lançaram uma ofensiva nesta manhã (ontem) e que a operação ainda está em progresso", afirmou o coronel Azem Bermando, porta-voz do Exército de Chade. De acordo com uma fonte ouvida pela Reuters, a ação foi autorizada pelo presidente da Nigéria, Goodluck Jonathan.

Chris Olukolade, porta-voz das autoridades de Defesa da Nigéria, confirmou a realização das "manobras preventivas" e disse que as forças nigerianas também estavam participando da ação.

De acordo com testemunhas na cidade de Diffa, no Níger, pelo menos 300 veículos - incluindo jipes com armamento pesado e suprimentos - deixaram a cidade em direção à Nigéria. Na manhã de ontem, aviões do Chade teriam bombardeado posições do Boko Haram perto do rio Komandugu Yobé. Um jornalista que vive na mesma cidade ouvido pela France Presse afirmou que o objetivo da ofensiva do Níger e do Chade seria retomar a cidade de Mamasak, município nigeriano que fica cerca de 30 quilômetros ao sul de Diffa.

"Muitos combatentes islamistas foram mortos pelos ataques aéreos que vieram de várias direções nas grandes cidades do noroeste da Nigéria", afirmou um funcionário de alto escalão do governo de Diffa, no Níger.

Nos últimos meses, o Boko Haram expandiu sua atuação para cidades fronteiriças de Camarões, Chade e Níger, resultando em uma cooperação entre os três países para combater os extremistas.

Na semana passada, o presidente do Níger, Idriss Déby, havia prometido "destruir" o grupo extremista e eliminar o chefe dos rebeldes, Abubakar Shekau, caso ele não se rendesse. Essa é a primeira vez que o Exército do Níger atua em território nigeriano desde que o Parlamento aprovou, em fevereiro, o envio de tropas para combater o Boko Haram.

Lealdade. As manobras de Níger e Chade ocorreram um dia depois de o Boko Haram divulgar na internet um vídeo no qual jurava lealdade ao Estado Islâmico. "Nós proclamamos nossa fidelidade ao califa (Abu Bakr al-Baghdadi, líder do EI). Nós vamos obedecer em tempos de dificuldade e prosperidade", dizia a gravação, atribuída a Abubakar Shekau, líder do Boko Haram.

A declaração "poderia impulsionar os ocidentais a se mobilizarem contra operações do Boko Haram, em especial a França, que já comanda uma campanha militar antiterrorista na África", avaliou Ryan Cummings, da consultoria de segurança Red24.

Especialistas no combate ao terrorismo disseram que a ação de Shekau poderia ser uma forma de enviar uma mensagem para suas tropas e uma tentativa de atrair novos membros para o Boko Haram.

"Nenhum dos dois grupos tem qualquer tipo de escrúpulos em termos de violência", afirmou Max Abrahams, especialista em grupo extremistas da Universidade de Boston. "São aliados naturais." / REUTERS, AFP e EFE

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.