Odd Andersen/AFP
Odd Andersen/AFP

Chamado de 'anti-Trump', Frank-Walter Steinmeier é eleito presidente da Alemanha

Social-democrata assume em março cargo considerado de 'honra' por ter pouco poder de decisão

O Estado de S.Paulo

12 Fevereiro 2017 | 13h31

Com um discurso de integração, Frank-Walter Steinmeier foi eleito para a presidência da Alemanha neste domingo, 12. Após ser informado do resultado, ele fez um discurso em defesa da democracia e contra o crescimento do conservadorismo, chamando o país de "âncora de esperança" para pessoas do mundo todo. 

"Quando as bases (da democracia) vacilam, temos que sustentar mais do que nunca", disse na cerimônia deste domingo, na qual insistiu que a "coesão da sociedade" é essencial "nestes tempos turbulentos". O novo presidente é chamado pela imprensa local de "anti-Trump", por ter feito duras críticas às políticas migratórias do novo governo norte-americano, ao qual se referiu publicamente como um "pregador do ódio". 

Ele também citou alguns antecessores, especialmente Theodor Heuss, responsável por reerguer o país após a Segunda Guerra Mundial, e Roman Herzog, primeiro presidente eleito depois da reunificação alemã. "Há aqueles que defendiam a xenofobia e o ressentimento. Nosso país conseguiu superar esses chamados e estou seguro que vamos superar novamente", afirmou, em referência ao crescimento de defensores de medidas anti-imigração no continente.

Social-democrata, Steinmeier, de 61 anos, foi Ministro das Relações Exteriores entre 2005 e 2009 e 2013 e 2017, tendo disputado o cargo de primeiro-ministro em 2009, sendo derrotado por Angela Merkel. Ele assume o cargo em 18 de março, em sucessão à Joachim Gauck. A presidência na Alemanha é, contudo, um cargo, sobretudo, de honra e representatividade, pois o poder de decisão fica concentrado principalmente na mãos do chanceler e do Parlamento. 

A cerimônia de designação para o cargo ocorreu em uma assembleia com parlamentares e representantes da sociedade civil. Dos 1.253 votantes presentes, Steinmeier recebeu 931 votos, confirmando as projeções de especialistas. 

Internamente, a eleição de Steinmeier é um novo sinal da perda de força política de Angela Merkel, a menos de sete meses para as eleições legislativas, desta vez contra os social-democratas. A chanceler conservadora teve de se resignar no ano passado em apoiar o seu antigo rival, não tendo conseguido apresentar um candidato de consenso e forte o suficiente./AFP, EFE e Reuters

 

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