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Chanceler francês deixa governo de Hollande

- Atualizado: 10 Fevereiro 2016 | 20h 01

Laurent Fabius foi indicado pelo presidente para chefiar a Corte Constitucional, órgão que fiscaliza o cumprimento da Carta Magna

O chanceler da França, Laurent Fabius, em visita a Brasília

O chanceler da França, Laurent Fabius, em visita a Brasília

O ministro das Relações Exteriores da França, Laurent Fabius, anunciou nesta quarta-feira, 10, que deixa o governo de François Hollande, depois de ser indicado ao cargo de presidente do Conselho Constitucional, órgão que fiscaliza o cumprimento da Carta Magna no país. 

Aplaudido pelo sucesso da 21.ª Conferência do Clima das Nações Unidas (COP21), o chanceler deixou o cargo fazendo críticas aos Estados Unidos, pela gestão da guerra na Síria e pela inconstância na luta contra o Estado Islâmico.

Fabius informou sua saída ao término do Conselho de Ministros, reunião ministerial no Palácio do Eliseu. “Creio que fizemos um bom trabalho, do qual a França pode se sentir orgulhosa. Fizemos coisas úteis pelo mundo, como na COP21”, lembrou o chanceler. 

Fabius disse que lamenta, durante sua gestão, iniciada juntamente com a de Hollande, em maio de 2012, o modo como se lidou com a guerra na Síria. “Eu lamento que o mundo não tenha seguido a posição da França”, afirmou, criticando a frivolidade de “alguns membros” da coalizão ocidental que tem lançado bombardeios contra o grupo terrorista Estado Islâmico, e “a cumplicidade” de Rússia e Irã em relação ao regime de Bashar Assad. 

“Há ambiguidades. Não vou repetir o que digo com frequência, em especial sobre o principal piloto da coalizão e outros. Mas não temos o sentimento de que seja um engajamento muito forte”, disse Fabius, sugerindo uma ambivalência entre as decisões do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e as declarações do secretário americano de Estado, John Kerry. “Não tenho muita certeza do que, no fim do mandato, vai fazer o presidente Obama agir como seu secretário diz”, criticou. 

O chanceler demissionário afirmou ainda que a Rússia e o Irã perceberam a hesitação do Ocidente com relação à Síria e apoiaram as forças do regime de Assad na ofensiva contra a cidade de Alepo, no norte do país, o principal reduto da oposição moderada. 

“Há muitas palavras, mas ações são outra história. Evidentemente, como os russos e iranianos sentiram isso, Bashar Assad refez suas forças.”

Ele também acusou a Rússia e o Irã de serem cúmplices da violência do regime sírio. “Há tanto a brutalidade espantosa do regime de Assad quanto uma cumplicidade por parte da Rússia e do Irã”, afirmou Fabius diante dos deputados franceses.

O chanceler demissionário exigiu novamente o fim dos bombardeios na Síria, onde o Exército de Assad e seu aliado russo realizam uma violenta ofensiva no norte do país.

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