Chanceler russo condena "uso político" da morte de opositor

Na ONU, Sergei Lavrov lembrou de morte de Boris Nemtsov e disse que governo quer evitar politização dos direitos humanos

Jamil Chade - CORRESPONDENTE EM GENEBRA, O Estado de S. Paulo

02 Março 2015 | 07h36

O governo russo critica o que chama de "uso político" do assassinato do opositor Boris Nemtsov, morto na sexta-feira, 27, em Moscou. O chanceler russo, Sergei Lavrov, falando na tribuna do Conselho de Direitos Humanos da ONU nesta segunda-feira, 2, criticou lideranças ocidentais por "manipular" a morte de Nemtsov e garantiu que Moscou está investigando o incidente. 

"Trata-se de um crime inaceitável", declarou Lavrov. "Precisamos evitar a politização dos direitos humanos. Não se trata de um mecanismo para justificar intervenções ou confrontos". 

Para ele, "a tentativa de usar a morte de Nemtsov para fins políticos é desprezível". "Esse será um crime que será totalmente investigado e os autores serão levados à Justiça", declarou.

Lavrov ainda garantiu que o presidente russo, Vladimir Putin, decidiu assumir o caso e irá liderar o processo de investigação por meio de um grupo de especialistas.  

Lavrov se reúne ainda nesta segunda-feira, 2, com o secretário de Estado americano, John Kerry, em Genebra. O americano deve pressionar o russo para que haja uma investigação sobre a morte do líder da oposição russa. Kerry vai pedir não apenas respostas sobre quem teria feito os disparos. mas também quem planejou e financiou o ato. 

Mas Lavrov usou a tribuna da ONU para lançar um duro ataque contra os EUA, mesmo sem citar o nome do país. "Não existe o fim da História", alertou, numa referência à publicação que marcou o final da Guerra Fria pelo cientista político Francis Fukuwama. "Precisamos de um respeito mútuo e diálogo. O mundo conta com muitos centros", insistiu Lavrov.

Ele ainda apontou para o fato de que americanos comemoram a existência de uma nação "multicultural" nos EUA. Mas "recusam essa realidade no exterior". "Não podemos aceitar a ideia do excepcionalismo ou das teorias de quem quer dominar o mundo", atacou.   

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