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Chanceleres da Unasul se reunirão para tratar das sanções americanas à Venezuela

Encontro foi pedido por Caracas e apoiado pelo Equador e deve ocorrer nesta quinta-feira 

Lisandra Paraguassu, Brasília, O Estado de S. Paulo

11 Março 2015 | 14h46

BRASÍLIA - Os chanceleres da União das Nações Sul-americanas (Unasul) farão uma reunião extraordinária nesta quinta-feira em Montevidéu para analisar as sanções impostas pelos Estados Unidos à Venezuela. O encontro, pedido pela Venezuela e apoiado pelo Equador, foi anunciado nesta quarta-feira, 11, pelo ministro das Relações Exteriores equatoriano, Ricardo Patiño. O ministro brasileiro, Mauro Vieira, participa do encontro.

Na segunda-feira 9, o governo de Barack Obama decidiu por em prática as sanções aprovadas no final de 2014 pelo Congresso americano e decretou a Venezuela como país que oferece risco à segurança nacional americana. Sete venezuelanos ligados ao governo foram acusados de violações de direitos humanos pela repressão às manifestações do ano passado, tiveram seus bens nos EUA congelados e terão a possibilidade de tirar vistos restrita.

As decisões vieram depois do presidente Nicolás Maduro decretar a prisão de Antonio Ledezma, prefeito de Caracas e um dos líderes da oposição, e acusar os EUA de estarem por trás de uma tentativa de golpe contra o governo venezuelano.

O presidente do Equador, Rafael Correa, chegou a anunciar na terça-feira que haverá uma reunião presidencial da Unasul para "dar uma resposta adequada" aos Estados Unidos. "Daremos a resposta adequada a essa interferência grotesca, ilegal, sem vergonha, ultrajante, injustificada dos EUA em assuntos internos da Venezuela", afirmou. "Quem em sã consciência vai acreditar que a Venezuela é um perigo?". No entanto, por enquanto a ideia de uma reunião presidencial extraordinária não prosperou.

Na semana passada, os chanceleres do Brasil e do Equador, além da ministra das Relações Exteriores da Colômbia, María Ángela Holguín, estiveram em Caracas para conversas com governo e oposição, em uma tentativa de reabrir o diálogo entre as duas partes. Conseguiram obter do governo de Maduro a promessa de que as eleições legislativas serão marcadas, possivelmente para novembro - um dos temores da oposição era de que o governo, com baixa popularidade, tentasse evitar o pleito, já que é o Conselho Eleitoral, dominado por partidários de Maduro, que determina a data.

O comitê da Unasul deve voltar a Caracas nas próximas semanas para novas reuniões de intermediação, mas não dá datas ainda.

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