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Joel Saget e Anaelle Le Bouedec/AFP

Chargista do 'Charlie Hebdo' que sobreviveu ao atentado de 2015 elogia escolha da capa

Para Riss, o jornal satírico 'deve estar onde os outros não ousam ir' e a ilustração para o aniversário do ataque mostra que a publicação sobreviveu 

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O Estado de S. Paulo

06 Janeiro 2016 | 14h41

O chargista Riss, que sobreviveu ao atentado jihadista há um ano contra a redação do jornal satírico francês Charlie Hebdo, afirmou que a publicação "deve estar onde os outros não ousam ir". Protegido por cinco guarda-costas, Riss conta com orgulho como os sobreviventes conseguiram fazer o jornal renascer, quando os jihadistas já cantavam vitória.

"Um periódico de combate, mas um combate divertido, disparatado, especialmente em prol do laicismo", classificou. A prova disso é a publicação nesta quarta-feira, 6, de um número de aniversário, mais ateu e satírico do que nunca, com uma capa que mostra um Deus armado e um editorial em defesa do laicismo, escrito por Riss.

"Charlie deve estar onde os outros não ousam ir. Para esta capa, queríamos ressaltar isso e tocar em coisas mais fundamentais. É a ideia em si de um Deus que nós, no Charlie, contestamos. Afirmar as coisas claramente faz refletir. É preciso agitar um pouco as pessoas, caso contrário elas permanecem em seus trilhos", explicou.

Desde o atentado de 7 de janeiro de 2015, o jornal conseguiu sobreviver a "um ano de combates semanais". "Combates por nossas ideias, e também para demonstrarmos que continuamos capazes de fazer isso. É a prova final, na qual vemos se vivemos ou se morremos, se acreditamos em nossas ideias ao ponto de superar este ano e sair vencedores. Se o jornal tivesse desaparecido, nossas ideias teriam desparecido um pouco", avalia o sobrevivente.

Apesar da chegada de 10 novos colaboradores, o vazio deixado pelos mortos, entre eles os célebres chargistas Cabu, Wolinski, Tignous, Honoré e Charb, continua sendo grande. "Pensamos neles sem parar. Para mim, não estão aqui, mas não desapareceram', declara.

Riss, que ficou gravemente ferido no atentado, quer que o jornal continue defendendo o laicismo na França e no mundo. /AFP

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