Chávez descarta pacto de não-agressão com Colômbia

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, descartou nesta sexta-feira que seu governo apoie o pacto de não-agressão proposto pelo Brasil, para que tropas internacionais monitorem a fronteira entre Colômbia e Venezuela. Chávez afirmou que o problema não é a fronteira, mas sim as "bases militares".

AE-AP, Agencia Estado

13 Novembro 2009 | 18h04

"Nós não vamos aceitar uma força supranacional cuidando de nossas fronteiras. Que a Colômbia cuide da sua, nós cuidados da nossa", afirmou Chávez em Caracas. O pacto entre os dois países foi proposto por Marco Aurélio Garcia, assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais.

Chávez notou que era contra a proposta porque "é um tema de soberania, e a soberania não se discute". "O problema não é a fronteira, o problema são as bases militares."

O líder venezuelano é um forte crítico do acordo entre Colômbia e os Estados Unidos que amplia a presença de tropas norte-americanas em sete bases em território colombiano. Bogotá afirma que a única intenção do pacto é combater guerrilheiros no próprio país, mas Chávez vê o risco de ações em outras nações da região.

García disse nesta semana que o Brasil poderia enviar aviões para a fronteira, para ajudar a monitorar a região. As relações entre Venezuela e Colômbia, tensas há anos, pioraram desde julho, quando Chávez decidiu se distanciar do governo do presidente Álvaro Uribe por divergências sobre o acordo com os EUA.

No domingo, Chávez chegou a dizer que os venezuelanos deveriam se preparar para a guerra. Posteriormente, negou que tivesse dado qualquer declaração belicosa.

Centenas de funcionários públicos e partidários de Chávez realizaram hoje uma marcha no centro de Caracas e em San Cristóbal, no sudoeste, para protestar contra o acordo militar da Colômbia com os EUA. "Não queremos que a Colômbia seja a Israel da América Latina", afirmava um dos cartazes.

Mais conteúdo sobre:
Colômbia bases Hugo Chávez pacto Brasil

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.