'Chávez terá de chegar a acordo com o mundo', diz Peres

O presidente de Israel, Shimon Peres, afirmou hoje que o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, terá de chegar a um acordo com o mundo, "pois o mundo não vai seguir o seu exemplo". Peres fez essa afirmação em entrevista coletiva concedida após evento realizado na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na qual foi questionado sobre a possibilidade de a Venezuela vir a integrar o Mercosul - bloco com quem Israel está firmando um acordo bilateral. "Não acredito que o Mercosul adotará políticas de Hugo Chávez, é ele quem tem de adotar políticas do Mercosul, de cooperação, e não de ódio", afirmou.

LUCINDA PINTO, Agencia Estado

12 Novembro 2009 | 20h35

O tratado que prevê relações bilaterais do Brasil com Israel foi aprovado hoje pela Câmara e seguiu para o Senado. Se for aprovado, será o primeiro acordo com um país fora do bloco. Peres afirmou que, no mundo globalizado, "não existe nenhuma nação ou economia única", e apenas aquelas que "querem ficar pobres" se mantêm individuais". "As que querem ficar ricas têm de cooperar", afirmou.

Shimon Peres também voltou a fazer críticas ao presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, dizendo que seu governo adota políticas "irresponsáveis e fanáticas". Ele evitou, entretanto, comentar a visita que Ahmadinejad fará ao Brasil em duas semanas.

Também não respondeu a afirmação feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de que só se constrói a paz conversando com todas as forças políticas e religiosas que querem a paz. "Não acho apropriado comentar sobre o que o presidente brasileiro falou", afirmou. Mas, em seguida, ele reafirmou algumas das críticas já feitas durante sua visita ao Brasil. "Não acho que as pessoas iranianas sejam nossos inimigos, mas nenhum país tem o direito de impedir a jurisdição do outro", afirmou.

Peres também atacou o fato de o governo iraniano negar o holocausto. E também fez acusações em relação à intenção do Irã de desenvolver bombas nucleares. "Por que eles estariam investindo tanto dinheiro na construção de mísseis para carregar bombas, se não pretendessem fabricar essas bombas?", questionou, lembrando que o Irã tem um índice elevado de desemprego. "Um líder que não tem visão positiva do futuro não tem futuro", afirmou.

Shimon Peres afirmou que o presidente Lula pode ser um importante mediador a favor da paz no Oriente Médio, por causa de sua "voz especial, respeitada em todo o mundo". "Os países hoje são interconectados. Todos ouvem uns aos outros, e uma voz respeitada como a do Lula seria importante, seria ouvida", afirmou. Segundo Peres, ninguém duvida da boa vontade do presidente brasileiro e, portanto, seu chamado pela paz teria relevância.

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