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Chavismo e oposição tomam as ruas de Caracas

Luiz Raatz, enviado especial - O Estado de S. Paulo

22 Fevereiro 2014 | 17h 57

Maior que o chavista, ato da oposição reúne dezenas de milhares de pessoas no leste da capital e Capriles pede unidade

CARACAS - Milhares de venezuelanos tomaram neste sábado, 22, distintos pontos de Caracas e das principais cidades da Venezuela para se manifestar contra e a favor do governo. Do lado oeste da capital venezuelana, milhares de chavistas se reuniram na Praça Bellas Artes para expressar repúdio ao que consideram uma tentativa de golpe de Estado contra o presidente Nicolás Maduro. No leste de Caracas, uma grande manifestação convocada pela oposição reuniu dezenas de milhares de pessoas que inundaram a Avenida Francisco de Miranda e a Avenida Romulo Gallegos, no bairro de Campo Rico. Ambos os protestos foram pacíficos e até o fim da tarde de ontem não houve incidentes.

Antes refratário à tática de parte da oposição de ocupar as ruas contra o governo, o governador de Miranda, Henrique Capriles pediu que os manifestantes continuem nas ruas contra o governo. Exigiu a libertação de estudantes que foram presos nos últimos dias e de Leopoldo López, seu rival dentro da coalizão Mesa de Unidade Democrática, preso na terça-feira pelo governo, além de voltar a denunciar casos de tortura de policiais contra manifestantes. Em discurso, prometeu unidade na oposição e se encontrar com Maduro na segunda-feira, no Palácio de Miraflores. Foram registradas também marchas opositoras nos Estados de Carabobo, Bolívar, Amazonas, Mérida e Táchira.

"Rapazes, sigam nas ruas venezuelanas pedindo por um futuro", disse Capriles, ao lado da mulher de López. "Leopoldo, me verás fazendo de tudo para que esteja livre outra vez. Não se deixe enganar pelos faladores de bobagem."

Em Miraflores, Maduro recepcionou a marcha chavistas, capitaneada principalmente por mulheres. Intitulada "mulheres contra o fascismo", reuniu principalmente funcionários públicos de autarquias governamentais. Muitos foram levados à manifestação em ônibus do governo. "Vocês estão sabendo que somos vítimas de um golpe contínuo. Eles (a oposição) não voltarão nunca ao poder, e por um golpe de Estado muito menos", disse Maduro. "Apreendemos armas caseiras para agredir a nossa pátria."

O presidente acusou manifestantes de terem matado um motoqueiro que morreu degolado por um arame farpado erguido em uma barricada ontem em Caracas. "Já sabemos quem são os responsáveis e vamos prendê-los. Assassinos. Isso é terrorismo."

Divisão. A polarização da sociedade venezuelana era evidente ontem enquanto os dois grupos se dirigiam a lados distintos da cidade. Enquanto os chavistas, vestidos de vermelho, tomavam o metrô no sentido Propatria, os oposicionistas, de branco, pegavam a linha oposta, no sentido Palo Verde. Na concentração governista, o discurso dos manifestantes era similar: há uma conspiração contra o governo, levada a cabo por grupos fascistas financiados pelo governo americano e o ex-presidente colombiano Alvaro Uribe.

Com um jaleco da rede de TV estatal VTV, Marianela Torres, funcionária do Ministério da Educação, diz que Maduro não está reprimindo os manifestantes contrários a seu governo. "Ele apenas contém grupos radicais que querem derrubá-lo. Uma coisa é manifestação, outra é o que estão fazendo", disse a chavista ao Estado. "O problema é que a imprensa internacional mente sobre a Venezuela. Conte as coisas como elas devem ser contadas", alertou à reportagem.

Do outro lado da cidade, a concentração era bem maior. Com cartazes e um barulho ensurdecedor de buzinas, os manifestantes cantavam palavras de ordem contra o governo. "Vai cair, vai cair, esse governo vai cair", gritavam."Estou aqui pela primeira vez desde o início das manifestações porque não consigo comprar leite para o meu filho", disse ao Estado o músico Román Brito. "Continuarei na rua até que Maduro renuncie."

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