Miguel Gutiérrez/EFE
Miguel Gutiérrez/EFE

Chavismo promete se defender após ameaças de Trump

Após presidente americano cogitar de opção militar para a Venezuela, presidente de Constituinte diz que atuará para Maduro proteger a pátria dos EUA; Mercosul repudia 'violência' e 'qualquer uso da força' contra o país

O Estado de S.Paulo

12 Agosto 2017 | 13h15
Atualizado 12 Agosto 2017 | 16h13

CARACAS - A presidente da Assembleia Nacional Constituinte da Venezuela (ANC), Delcy Rodríguez, classificou neste sábado, 12, de covarde, insolente e infame a ameaça do presidente americano, Donald Trump de solucionar a crise política e econômica no país por meio da opção militar. Delcy afirmou ainda que a Constituinte atuará para auxiliar o presidente Nicolás Maduro na defesa da pátria.  Apesar da ameaça, o Pentágono ressaltou que não há nenhum plano militar em curso sobre a Venezuela. 

O governo da Venezuela advertiu neste sábado que a "temerária ameaça" de uma opção militar feita por Trump põe em risco a estabilidade de toda região da América Latina e Caribe. "A temerária ameaça" de Trump "pretende arrastar a América Latina e o Caribe para um conflito que alteraria permanentemente a estabilidade, a paz e a segurança da nossa região", declarou Jorge Arreaza, ministro das Relações Exteriores do país, em transmissão pela TV. 

No pronunciamento, o chanceler fez um apelo "aos membros da comunidade internacional (...) para que expressem sua mais clara e inequívoca condenação a este perigoso atentado contra a paz e a estabilidade do continente".

O comunicado lido por Arreaza destacou que as palavras de Trump foram pronunciadas "apenas um dia depois" de o presidente venezuelano ter sugerido uma "conversa pessoal" com o americano - por telefone, ou mesmo no âmbito da Assembleia Geral da ONU, em setembro, em Nova York.

A instalação da polêmica Constituinte, considerada pela oposição uma fraude que pretende instaurar uma ditadura no país, dificultou ainda mais a relação entre Caracas e Washington, tensa desde a chegada do chavismo ao poder, em 1999.

O governo americano impôs sanções financeiras contra Maduro e 20 de seus funcionários e colaboradores, por avançarem com a Constituinte, rejeitada por Washington. 

Antes da reação de Delcy, o ministro da Defesa, general Vladimir Padrino, disse à estatal VTV que a Venezuela irá se defender, e ele estaria na primeira fila . Foi o primeiro pronunciamento de um funcionário do governo venezuelano frente à declaração de Trump.

O Ministro das Comunicações do país, Ernesto Villegas, chamou a ameaça de Trump de “uma ameaça sem precedentes à soberania nacional.”

Reação. Em nota divulgada no Brasil pelo Itamaraty, países do Mercosul repudiaram a violência e qualquer uso da força contra a Venezuela. "Os países do Mercosul consideram que os únicos instrumentos aceitáveis para a promoção da democracia são o diálogo e a diplomacia", afirmou a nota. "O repúdio à violência e a qualquer opção que envolva o uso da força é inarredável e constitui base fundamental do convívio democrático, tanto no plano interno como no das relações internacionais."

O Ministério das Relações Exteriores brasileiro lembrou ainda que a Venezuela já foi suspensa do Mercosul, no dia 5, "em decorrência da constatação de que ocorreu uma grave ruptura da ordem democrática naquele país". "Desde então, aumentaram a repressão, as detenções arbitrárias e o cerceamento das liberdades individuais. As medidas anunciadas pelo governo e pela assembleia nacional constituinte nos últimos dias reduzem ainda mais o espaço para o debate político e para a negociação".

Assim, reforçou que os países do bloco vão continuar insistindo para que a Venezuela "cumpra com os compromissos que assumiu, de forma livre e soberana, com a democracia como única forma de governo aceitável na região. O governo venezuelano não pode aspirar ao convívio normal com seus vizinhos na região enquanto não for restaurada a democracia no país".

A mesma nota foi publicada pelo Ministério das Relações Exteriores da Argentina também neste sábado. 

Colômbia, Peru e México também rechaçaram neste este sábado o uso da força na Venezuela diante da advertência de Trump. "Rejeitamos medidas militares e o uso da força no sistema internacional. Todas as medidas devem ser tomadas respeitando-se a soberania da Venezuela, por meio de de soluções pacíficas", informou a chancelaria colombiana. / REUTERS, AP, AFP e EFE

 

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