Cmdr. Santiago Carrizosa/US Navy via The New York Times
Cmdr. Santiago Carrizosa/US Navy via The New York Times

China devolverá drone, mas critica EUA por propaganda sobre disputa

Ministério da Defesa chinês afirmou neste sábado que entrou em contato com autoridades americanas para acertar o retorno do equipamento; presidente eleito dos EUA, Donald Trump, comete gafe ao comentar o assunto na internet

O Estado de S. Paulo

17 Dezembro 2016 | 18h31

PEQUIM - O Ministério da Defesa da China disse neste sábado, 17, ter conversado com os Estados Unidos sobre a devolução de um drone subaquático capturado por uma embarcação naval chinesa no Mar do Sul da China, mas que os EUA não estavam ajudando ao fazerem "propaganda" do problema.

O drone foi capturado na quinta-feira a cerca de 50 milhas náuticas a noroeste de Subic Bay, ao lado das Filipinas, quando o USNS Bowditch estava prestes a recuperar o veículo subaquático não tripulado (UUV, na sigla em inglês), disseram autoridades americanas. O Ministério da Defesa do país asiático disse que um navio da Marinha chinesa descobriu um "equipamento não identificado" e o verificou para evitar problemas de segurança na navegação, antes de descobrir que era um drone americano. 

"A China decidiu devolvê-lo aos EUA de maneira apropriada, e a China e os EUA têm estado em comunicação sobre isso", disse o Ministério em seu site. "Durante este processo, a propaganda unilateral e aberta dos EUA é inapropriada, e não é benéfica para a resolução tranquila desta questão. Nós lamentamos isso", acrescentou.

Sem dizer diretamente se o drone estava operando em águas que a China considera suas, o Ministério da Defesa disse que os navios e aeronaves dos EUA têm, há muito tempo, conduzindo vigilância e pesquisas em águas chinesas. "A China se opõe resolutamente a isso, e exige que os EUA interrompam esse tipo de atividade."

Os Estados Unidos dizem que o drone estava operando legalmente. "O UUV estava conduzindo legalmente um levantamento militar nas águas do Mar do Sul da China", disse um funcionário americano, falando sob condição de anonimato. "É uma embarcação soberana imune, claramente marcada em inglês para não ser removida da água - que era propriedade dos EUA", disse o funcionário.

O Pentágono confirmou o incidente em uma entrevista coletiva na sexta-feira, e disse que o drone usava tecnologia disponível comercialmente e era vendido por cerca de 150 mil dólares. Ainda assim, o Pentágono considerou como séria a apreensão da China, uma vez que o país efetivamente pegou um artefato militar dos EUA. "É nosso, e está claramente marcado como nosso e gostaríamos de tê-lo de volta, e gostaríamos que isso não voltasse a acontecer", disse o porta-voz do Pentágono, Jeff Davis.

Gafe. Ao comentar também neste sábado a troca de acusações entre autoridades chinesas e americanas, o presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, cometeu um erro de digitação na mensagem publicada em sua conta no Twitter e virou alvo de piadas na internet.

"A China rouba drone de investigação da Marinha dos Estados Unidos em águas internacionais - o tiraram da água e o levaram para a China em um ato sem presidente", escreveu o republicano, ao trocar a palavra em inglês "unprecedented" (sem precedente, em tradução livre) por "unpresidented" (sem presidente).

O tuíte foi corrigido cerca de uma hora depois, período em que muitos internautas puderam fazer piada com o engano de Trump. Até mesmo a escritora britânica J.K. Rowling, autora da série de livros Harry Potter, comentou a gafe do republicano em mensagem na qual destacou a "eficiência não presidencial" de Trump.

A mensagem de Trump, ainda que tenha chamado mais atenção pela gafe, não deve ser ignorada, alertaram especialistas, lembrando que nesta semana o presidente eleito causou tenção na relação dos EUA com a China ao sugerir que poderia pôr fim ao reconhecimento da política de "uma só China" através de uma aproximação com Taiwan - considerada uma província rebelde por Pequim - e acusando a China de manipular sua taxa de câmbio. / REUTERS e AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.