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China investiga acidente com avião da Embraer

AE - Agência Estado

25 Agosto 2010 | 12h 08

O governo chinês afirmou que investigará o acidente aéreo ocorrido ontem, que deixou 42 mortos e feriu 54 pessoas na cidade de Yichun, província de Heilongjiang. O voo doméstico da companhia Henan Airlines varou a pista enquanto o piloto tentava aterrissar, em meio a uma forte neblina. Hoje, a caixa-preta com dados do voo foi recuperada perto do aeroporto de Lindu, e funcionários chineses vasculhavam os escombros do avião, um ERJ-190 de dois motores, fabricado pela empresa brasileira Embraer.

De acordo com s agência estatal de notícias, Xinhua, companhias aéreas que utilizam os mesmos modelos da Embraer já haviam relatado problemas técnicos ao governo anteriormente. Segundo a agência, a Autoridade de Aviação Civil da China convocou um workshop em junho de 2009 para discutir essas questões. A Xinhua afirmou também que atas do encontro - que envolveu a Kunpeng Airlines, como a Henan Airlines era conhecida antes - mostram que placas da turbina partidas e erros no sistema de controle estavam entre os problemas.

Após o acidente, a Henan Airlines manteve em solo três dos outros quatro modelos ERJ-190 que ela opera, informou a Rádio Nacional da China. A rádio informou ainda que o avião que sofreu o acidente tinha apenas dois anos. A Embraer ofereceu ontem suas condolências aos familiares das vítimas e anunciou o envio de uma equipe de técnicos para auxiliar na investigação.

Investigação e sobreviventes

Sobreviventes do acidente disseram ter sentido solavancos fortíssimos antes de o avião atingir o solo. "O avião começou a sacudir de um jeito assustador, umas cinco ou seis vezes, e com força", contou um homem à China Central Television, falando de sua maca no hospital, descrevendo em seguida o pânico dos passageiros para escapar.

Os feridos estavam em quatro hospitais locais. O vice-premiê Zhang Dejiang visitou os sobreviventes - que estavam em sua maioria na frente e no meio da aeronave -, e exigiu uma investigação rápida das causas, segundo a Xinhua.

A televisão estatal informou que uma investigação preliminar descartou qualquer falha intencional, bem como a possibilidade de uma explosão ainda no ar. A polícia provincial informou que a visibilidade estava em menos de 300 metros no momento do acidente, por causa da forte neblina.

Autoridades da aviação civil esperavam obter informações também com o comandante do voo, que sobreviveu mas ainda não consegue falar devido aos vários ferimentos na face.

Entre os passageiros havia 18 funcionários do Ministério dos Recursos Humanos da China, incluindo o vice-ministro Sun Baoshu, que está em estado grave. Este foi o primeiro grande desastre aéreo da China desde que um avião da China Eastern Airlines sofreu um acidente em novembro de 2004, matando 53 pessoas a bordo e duas no solo. As informações são da Dow Jones.