AP Photo/Ahn Young-joon
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China pede diálogo após EUA acusarem Pyongyang de 'patrocinador do terrorismo'

Presidente americano, Donald Trump, prometeu que Washington endurecerá as sanções contra o regime de Kim Jong-un; para Tóquio e Seul, medidas podem forçar norte-coreanos a negociarem programa nuclear, mas analistas temem que conflito se agrave

O Estado de S.Paulo

21 Novembro 2017 | 16h17

PEQUIM - A China pediu nesta terça-feira, 21, que a questão nuclear norte-coreana seja resolvida pelo diálogo, depois que o governo dos Estados Unidos voltou a incluir a Coreia do Norte na lista dos "Estados que apoiam o terrorismo". "Esperamos que todas as partes envolvidas possam fazer mais para favorecer a diminuição das tensões", disse Lu Kang, porta-voz do ministério das Relações Exteriores chinês.

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O funcionário pediu o "retorno das partes às conversações de paz, para que adotem a via correta do diálogo e das negociações para resolver o problema na península".

O presidente americano, Donald Trump, prometeu na segunda-feira, 20, que o Departamento do Tesouro dos EUA endurecerá as sanções contra o regime norte-coreano, depois inclusão do país na polêmica lista. "Os Estados Unidos designam a Coreia do Norte como Estado patrocinador do terrorismo. Isso deveria ter ocorrido há tempos, deveria ter acontecido há anos", afirmou Trump na Casa Branca.

"Além de ameaçar o mundo com a devastação nuclear, a Coreia do Norte apoiou repetidamente atos de terrorismo internacional, incluindo assassinatos em território estrangeiro", completou. Questionado sobre que "assassinatos" justificaram a medida, o Departamento de Estado americano não revelou detalhes.

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Trump mencionou o caso do estudante americano Otto Warmbier, detido por Pyongyang e morto em junho, pouco depois de ser repatriado em coma. "O uso de um agente neurotóxico por parte de Pyongyang para matar Kim Jong-nam, meio-irmão do líder norte-coreano Kim Jong-un, em fevereiro, na Malásia, é o exemplo mais evidente dos ataques da Coreia do Norte contra seus dissidentes no exterior", reagiu o especialista em sanções Anthony Ruggiero, do grupo de lobby conservador Foundation for Defense of Democracies.

O secretário de Estado americano, Rex Tillerson, justificou a volta da Coreia do Norte à lista, mas reafirmou que sua esperança em uma negociação. "Ainda temos esperança na diplomacia", disse Tillerson, acrescentando que, no entanto, Washington "continuará fazendo pressão sobre a Coreia do Norte para convencer outros países a adotar ações por conta própria".

A Coreia do Norte já havia sido incluída nesta lista em 1988 pelo governo de Ronald Reagan por causa da derrubada de um avião sul-coreano no ano anterior, mas foi retirada em 2008, durante a administração de George W. Bush.

Atualmente a lista conta com os outros inimigos dos Estados Unidos: Irã e Síria. Cuba foi retirada em 2015. Pyongyang ainda não reagiu oficialmente.

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Vizinhos

Japão e Coreia do Sul elogiaram o anúncio do governo de Washington. Vários analistas, no entanto, alertaram para as consequências.

O governo sul-coreano, que em fevereiro, após o assassinato do meio-irmão do líder norte-coreano na Malásia, pediu que a Coreia do Norte fosse colocada nessa lista, considerou que a medida americana poderá ajudar a "chegar a uma resolução pacífica da questão nuclear norte-coreana".

Para Seul, o gesto faz parte dos esforços da comunidade internacional para forçar que a Coreia do Norte aceite dialogar novamente sobre sua desnuclearização, por meio da pressão diplomática "e de sanções contundentes", segundo explicou em um breve comunicado a chancelaria sul-coreana.

Já o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, grande aliado de Trump na ofensiva contra Pyongyang, disse que respalda a decisão dos EUA "porque (isso) eleva a pressão sobre a Coreia do Norte" para que ponha fim ao desenvolvimento de seu programa nuclear e de mísseis.

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O ministro da Defesa japonês, Itsunori Onodera, afirmou que a Coreia do Norte deverá se opor "com firmeza" à decisão de Washington e poderá recorrer "a novas ações provocativas" em resposta. 

Provocação

"Pyongyang verá isso como uma declaração de guerra", afirmou Yang Moo-jin, professor da Universidade de Estudos Norte-Coreanos em Seul. "É possível que, como represália, lance em breve um ICBM (míssil balístico intercontinental, na sigla em inglês)".

A inclusão da Coreia do Norte representa a adoção de novas sanções "em apoio à nossa campanha de pressão máxima para isolar esse regime assassino", afirmou Trump.

Após as últimas duas resoluções do Conselho de Segurança da ONU, como resposta aos novos testes balísticos e nucleares, sanções multilaterais mais rígidas foram adotadas contra o regime norte-coreano. Washington quer que o restante da comunidade internacional anuncie medidas unilaterais. O governo americano deseja especialmente que a China, a principal financiadora de Pyongyang, pare de dar apoio ao país vizinho.

Washington espera que, depois de ficar totalmente isolado, o regime de Kim Jong-Un - atualmente submetido a um intenso bloqueio econômico e sob as constantes ameaças militares do presidente americano - aceite negociações sobre seu programa nuclear. A maioria dos analistas, no entanto, afirma que o regime norte-coreano nunca renunciará ao armamento atômico. / AFP e EFE

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