EFE/LIU XIA
EFE/LIU XIA

China tem responsabilidade por morte prematura de dissidente, diz Nobel

ONU pede que autoridades chinesas deem liberdade à sua mulher; Pequim diz que nenhum país está em posição de fazer 'comentários inadequados' sobre dissidente

Jamil Chade, CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

13 Julho 2017 | 13h31
Atualizado 13 Julho 2017 | 21h28

GENEBRRA -   O Comitê do Prêmio Nobel da Paz declarou nesta quinta-feira, 13, que o comportamento do governo chinês tem uma pesada responsabilidade na morte prematura de Liu Xiaobo. O chinês morreu nesta quinta-feira, vítima de um câncer. Num comunicado duro, a entidade que concedeu ao dissidente o prêmio em 2010 disse que sua morte tem uma relação com o fato de que ele não ter recebido tratamento adequado por um longo período. 

"É profundamente perturbante que Liu Xiaobo não tenha sido transferido a um estabelecimento onde poderia ter recebido um tratamento médico adequado antes que sua doença entrasse numa fase terminal", disse a presidente do Comitê, Berit Reiss-Andersen. "O governo chinês tem uma pesada responsabilidade sobre sua morte prematura." 

O prêmio dado ao chinês havia sido uma homenagem e reconhecimento ao seu longo combate não violento pelos direitos humanos fundamentais na China. Na época, Pequim chegou a protestar oficialmente ao governo norueguês e ameaçou romper investimentos conjuntos, principalmente no setor de petróleo. 

Pequim disse hoje que nenhum país está em posição de fazer “comentários inadequados” sobre Liu . Segundo a chancelaria, a China dedicou “todos os esforços” para tratar Liu por razões humanitárias e com base na lei após ele ter sido diagnosticado com um câncer em estágio avançado.

Em 2010, a cadeira vazia de Liu Xiaobo durante a cerimônia em Oslo marcou a história do prêmio e o dissidente jamais foi autorizado a viajar para receber a honraria. 

"Agora, teremos de nos acostumar com o fato de que essa cadeira ficará para sempre vazia", disse Reiss-Andersen. "Ao mesmo tempo, estamos profundamente convencidos de que Liu Xiaobo continuará sendo um símbolo para todos aqueles que lutam pela liberdade, pela democracia e por um mundo melhor", afirmou. 

Quem também expressou seu desconforto com a China foi o alto comissário da ONU para Direitos Humanos, Zeid Ra'as al Hussein. Para ele, o dissidente era um personagem "icônico da paz e democracia". 

"O movimento de direitos humanos na China e em todo o mundo perdeu um de seus campeões que dedicou toda sua vida para defender e promover os direitos humanos", disse Zeid, lembrando que ele fez isso de forma "pacífica". 

"Ele era o símbolo real de ideias democráticos", disse. "Apesar de sua prisão, Liu Xiaobo declarou que não tinha ócontra aqueles que o perseguiam. Ele era a definição de coragem cívica e dignidade humana", completou. 

O representante da ONU, porém, pediu aos chineses que garantam "liberdade de movimento" para a esposa do dissidente, Liu Xia, para que ela possa viajar ao exterior. 

 

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