Coleta de informação adiou ataque ao Taleban

O ronco baixo e grave dos motores dos mísseis Tomahawk na fase final de seu vôo mortal contra o alvo poderia ter sido ouvido em Cabul pelo menos duas semanas antes do ataque de domingo. O bombardeio foi adiado por conta da maior operação de coleta de informações dos últimos 60 anos, dentro e fora dos Estados Unidos. Constrangidos com a baixa eficiência dos seus serviços de inteligência, que falharam em detectar os complexos preparativos dos atentados de 11 de setembro, os generais do Pentágono decidiram que a ação só teria início depois que todos os grupos terroristas em atividade em território norte-americano estivessem identificados e monitorados. Durante 21 dias, milhares de agentes de 13 diferentes agências de informações, sob coordenação da Divisão Especial Antiterror do FBI, combinaram dados, interrogaram pessoas e seguiram as pistas contidas em relatórios confidenciais sobre as organizações radicais. "O maior temor dessa força tarefa era encontrar indícios que unissem o Al-Qaeda com uma das nossas milícias armadas ultranacionalistas, que não reconhecem a autoridade do governo. Felizmente, essa suspeita não se confirmou", revelou à Agência Estado a analista de defesa Judith Mitchell, integrante do centro de estudos mantido por Anthony Lake, ex-assessor de segurança do ex-presidente Bill Clinton. O trabalho envolveu grandes massas de dados disponibilizados também pelos serviços estratégicos de França, Grã-Bretanha, Holanda, Canadá, Alemanha, Peru, Paraguai e Argentina. Segundo Mitchel, "a investigação mostrou que as agências de inteligência receberam muitos sinais da iminência de um ataque terrorista nos Estados Unidos, mas os analistas não conseguiram interpretar corretamente esses informes". Foram localizados núcleos de ativistas de quatro grandes organizações terroristas ligadas ao grupo de Osama Bin Laden: Al Gama´a Al-Islamyia (bases no Sudão, Iêmem, Egito, Afeganistão, Áustria e Inglaterra); Hezbollah (bases no Líbano, Chade, Inglaterra e França); Al Jihad (bases no Líbano, Afeganistão, Iêmem, Paquistão, Sudão e Afeganistão); e Hamas (bases na Cisjordânia, Faixa de Gaza, Líbano e Irlanda do Norte). A rede completa abriga outras 23 organizações, além do próprio Al-Qaeda. Os dados da rede e das conexões em território norte-americano são sigilosos, mas justificaram mudanças na administração federal. O presidente George W. Bush criou de uma secretaria especial antiterrorismo diretamente ligada à Casa Branca. O orçamento destinado aos organismos de inteligência, fixado em US$ 30 bilhões para 2001, será suplementado em pelo menos mais US$ 5 bilhões. Em 2002, deve chegar a US$ 50 bilhões. "A informação é a única arma eficaz contra o terrorismo. Mas, para ser útil, ela deve ter atualidade, qualidade e credibilidade", diz Judith Mitchell. Leia o especial

Agencia Estado,

08 Outubro 2001 | 19h57

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