Leonardo Muñoz/EFE
Leonardo Muñoz/EFE

Farc enviam duas toneladas de alimentos para cidade colombiana afetada por inundações

Senado do país concordou em doar cerca de US$ 148 mil e União Europeia entregou 150 mil euros para ajudar a população de Mocoa

O Estado de S.Paulo

05 Abril 2017 | 00h05
Atualizado 05 Abril 2017 | 12h10

BOGOTÁ - As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), concentradas em 26 regiões do país, uma delas próxima a Mocoa - que sofre com as consequências dos intensos deslizamentos e inundações -, enviaram duas toneladas de alimentos para a cidade. O Senado também concordou em doar cinco dias de salário de seus 102 membros, o equivalente a cerca de US$ 148 mil, para auxiliar os moradores, enquanto a União Europeia entregou 150 mil euros.

Mais de 2,2 mil pessoas receberam 20 toneladas de alimentos e kits de higiene, além de assistência psicológica e albergues em cinco refúgios, segundo a Unidade Nacional para a Gestão de Resgate de Desastres. Ainda são esperadas outras 40 toneladas de ajuda humanitária e 5 toneladas a mais de comida para animais. 

As autoridades elevaram para 290 o número de mortos no deslizamento registrado no fim de semana na cidade de Mocoa, sul da Colômbia. Segundo o Instituto Médico Legal, já foram identificados 186 corpos. O número de feridos também aumentou - para 332 -, todos sob cuidados médicos. “Mocoa não está sozinha. Ânimo!”, disse o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, ao visitar um hospital local, pouco antes de assistir a uma missa na catedral, onde pediu “força e temperança”.

A cidada também enfrenta o problema do mau cheiro causado pelos corpos em decomposição que ainda não foram sepultados ou resgatados dos escombros. Sandra Lizcano, moradora de um bairro situado a 200 metros do Parque Cemitério Normandia, disse que a "pestilência se apoderou do município". "Na verdade, estamos muito mal com os odores e a pestilência que se espalha com o vento. Ontem (segunda-feira) à noite quase não pudemos dormir com esse cheiro tão insuportável", comentou ela.

Pelas ruas, muitas pessoas usavam máscaras para se proteger da poeira causada pelo barro seco. Há estações de tratamento de água e geradores de emergência na ausência de energia elétrica e água corrente na cidade. Outras voltaram para suas casas a fim de pegar o que conseguiam salvar dos escombros. “A avalanche veio por um lado e por outro, e nós aqui, rezando”, disse Adelina Moreno, de 51 anos, enquanto recordava os “muitos” vizinhos mortos e embalava sua geladeira, gavetas e itens de cozinha.

Perdas. O presidente, que passou a noite em Mocoa, onde coordena trabalhos de ajuda e reconstrução, informou que 160 corpos já foram entregues aos parentes, um processo que deve acabar até o fim do dia. 

“A menina está identificada com o número 2, foi a segunda que recuperaram e estava inteira, mas ainda não nos entregaram ela. Nem ela nem dois primos. Estão todos roxos, quase pretos, inchados. Por que não nos entregam?”, queixa-se Perengüez Misericórdia, 33 anos. A família dele já mandou cavar as três covas para enterrar as crianças de 6, 11 e 13 anos. A tragédia deixou ao menos 43 menores de idade mortos.

Além das perdas humanas e materiais, a comunidade alertou sobre saques em casas abandonadas. Juan Manuel Santos pediu que a polícia reforçasse as medidas de segurança. 

O número de desaparecidos ainda é desconhecido, mas a Cruz Vermelha registrou 311 casos abertos de busca por parentes. A equipe de resgate ainda tenta encontrar pessoas presas nos escombros.

Recuperar Mocoa levará cerca de três anos, e o presidente declarou emergência econômica, social e ecológica. O governo pretende aplicar um mecanismo de “impostos por obras” para que o setor privado participe na reconstrução de infraestrutura e deduza o montante investido em impostos.

O ministro de Transportes, Jorge Rojas Giraldo, assegurou que várias vias de acesso à cidade já foram abertas temporariamente e o foco agora é tentar recuperar a mobilidade interna. /AFP e EFE

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