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REUTERS/ELN

Colômbia e ELN anunciam início de processo de paz

Governo de Juan Manuel Santos e grupo guerrilheiro realizavam 'contatos exploratórios' desde janeiro de 2014; Quito, no Equador, deve sediar negociações que seguirão roteiro com seis tópicos

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O Estado de S. Paulo

30 Março 2016 | 11h53

CARACAS - O governo colombiano e a guerrilha do Exército de Libertação Nacional (ELN) anunciaram nesta quarta-feira, 30, o início de um processo formal de diálogos de paz. O comunicado foi feito na sede da chancelaria venezuelana em Caracas por Frank Pearl, chefe da delegação do governo colombiano, e Antonio García, que dirige a comissão de representantes da guerrilha.

As negociações nesta fase do processo serão realizadas principalmente em Quito, no Equador - onde aconteceram nos dois últimos anos pelo menos sete reuniões de "contatos exploratórios" para iniciar uma negociação de paz. O documento divulgado pelas partes com o roteiro das negociações prevê sessões também na Venezuela, no Chile, no Brasil e em Cuba.

Em junho de 2014, o governo e o ELN anunciaram que em janeiro daquele ano iniciaram os "contatos exploratórios" para abrir uma negociação de paz, e dois meses depois o presidente do Equador, Rafael Correa, revelou que seu país tinha abrigado essas reuniões. Nos últimos meses, o chefe máximo do ELN, Nicolás Rodríguez Bautista, conhecido como "Gabino", disse em várias ocasiões que esse grupo estava muito perto de estabelecer uma agenda de diálogos com o governo.

A agenda de negociação que as partes discutiram e que deve ser confirmada nesta quarta como roteiro inclui seis pontos: participação da sociedade; democracia para a paz; vítimas; transformações para a paz; segurança para a paz e abandono das armas, e garantias para o exercício da ação política.

A informação do início formal dos diálogos de paz com o ELN é divulgada no momento em que as negociações do governo com as Farc em Cuba estão em fase crítica pelas diferenças entre as partes sobre os lugares de concentração de guerrilheiros e seu abandono de armas e desmobilização. Essas diferenças impediram a assinatura de um acordo definitivo no dia 23, como estava previsto.

Da mesma maneira, o anúncio se produz dias depois de o ELN libertar o cabo do Exército Jair de Jesús Villar e o empresário Ramón José Cabrales Camacho, que estavam sequestrados. A libertação de "todos os sequestrados" foi uma condição do presidente colombiano, Juan Manuel Santos, para iniciar formalmente a negociação de paz com o ELN. / EFE

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