Colômbia mata 33 das Farc na fronteira com a Venezuela

Ação marca mudança de estratégia de Santos, que agora privilegia centros de arrecadação em vez de líderes da guerrilha

BOGOTÁ, O Estado de S.Paulo

22 Março 2012 | 03h06

Uma operação do Exército colombiano matou na madrugada de ontem 33 guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e capturou outros 5 em um bombardeio contra um acampamento na Província de Arauca, perto da fronteira com a Venezuela. Segundo o ministro da Defesa, Juan Carlos Pinzón, foi o golpe mais duro contra o grupo em cinco anos, em número de baixas.

Segundo Pinzón, a operação foi a primeira desde que o Exército instituiu sua nova estratégia de luta contra a guerrilha, batizada de Espada de Honra. Até o ano passado, os principais alvos do governo colombiano eram os líderes do grupo. O chefe máximo das Farc, Alfonso Cano, foi morto em novembro. Agora, os militares querem desbaratar as unidades responsáveis pelo financiamento e pelas armas das Farc.

"Esse é o resultado de meses de trabalho de inteligência e o primeiro golpe da Espada de Honra", disse Pinzón. "Estamos buscando as unidades mais perigosas do país. Conseguimos lhes infligir golpes substanciais e permanentes."

Por meio de sua conta do microblog Twitter, o presidente Juan Manuel Santos comemorou a operação. "Foi um grande golpe contra as Farc em Arauca. Estou determinado a alcançar a paz da qual o país precisa", escreveu. "Não baixaremos nossa guarda. Continuaremos avançando com um fuzil em uma mão e a constituição na outra."

A operação começou na noite de terça-feira. O acampamento da Frente Dez da guerrilha situava-se na zona rural de Arauquita, na fronteira com a Venezuela. Na mesma região, um atentado atribuído às Farc matara 11 soldados na semana passada. O setor de inteligência do Exército levou dois meses para descobrir a localização da base.

Com cinco caças Tucano, além de aviões OV 10 e helicópteros, a Força Aérea colombiana bombardeou o acampamento, que depois foi ocupado por tropas de elite do Exército. No acampamento, foram encontrados 24 fuzis, metralhadoras e lançadores de granadas.

Entre os guerrilheiros presos está Juan Vicente Carvajal, o Misael, procurado nos EUA por narcotráfico e segundo no comando da Frente Dez. Outro militante importante do bloco detido ontem é Miguel Pérez Ramírez, El Índio, chefe de milícias do grupo. Ele arrecadava fundos para a guerrilha por meio de extorsões a fazendeiros locais.

Segundo o governo colombiano, entre 600 e 700 guerrilheiros das Farc atuam na fronteira com a Venezuela. No total, estima-se que o grupo tenha 8 mil homens.

Desde que Santos assumiu o poder, em 2010, a Colômbia iniciou uma reaproximação com o governo venezuelano, que auxiliou na captura de homens das Farc que atuam no país. Na gestão de Álvaro Uribe, Bogotá acusou Caracas de colaborar com as Farc / AP e REUTERS

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