Colonos enfurecidos retaliam palestinos

Colonos judeus, enfurecidos pelo crescente número de mortos israelenses por disparos na Cisjordânia, promoveram represálias nesta quinta-feira, jogando pedras e atirando contra carros palestinos, enquanto pressionavam o primeiro-ministro Ariel Sharon para suspender um cessar-fogo. Zvi Shelef, de 63 anos, tornou-se o quarto colono judeu a ser morto nesta semana quando palestinos abriram fogo contra seu veículo no norte da Cisjordânia. Pouco depois, um palestino de 17 anos, Ahmed Salah Abu el-Hilu, foi assassinado, e outro ficou gravemente ferido por disparos efetuados por forças israelenses nas proximidades de Ramallah, informaram médicos. Palestinos acusaram os soldados israelenses de dispararem sem provocação. O Exército de Israel informou que seus soldados dispararam para o ar. Ainda nesta quinta-feira, um garoto palestino de 12 anos morreu em um hospital em decorrência dos ferimentos sofridos em uma explosão ocorrida em Gaza em 30 de abril. Ramadan Asanei ficou gravemente ferido quando explosivos fizeram sua casa - pertencente a um militante do Hamas -, ir pelos ares. A explosão deixou dois mortos. Nos atuais confrontos, que tiveram início em setembro, já morreram 483 palestinos e 88 israelenses. Colonos criticaram a política de Sharon, que suspendeu momentaneamente ações ofensivas militares israelenses. Israel tem pedido ao líder palestino Yasser Arafat para também declarar uma trégua. As autoridades israelenses esperam com sua política que fique claro que são os palestinos que estão iniciando a violência. Os palestinos têm rechaçado o cessar-fogo, dizendo que ele não passa de propaganda. Os esforços dos Estados Unidos para renovar contatos produtivos entre os dois lados não produziram até agora nenhum resultado concreto. Dois encontros entre chefes de segurança israelenses e palestinos, arranjados por diplomatas norte-americanos, tranformaram-se num fórum de troca de acusações. Mas as conversações devem continuar. Os esforços de paz sofreram outro golpe nesta quinta com a repentina morte de Faisal Husseini, de 60 anos, um parceiro de longa data de diálogos com pacifistas israelenses, que o consideravam uma força moderadora. Husseini, a principal autoridade palestina em Jerusalém, morreu de ataque cardíaco no Kuwait. Arafat disse que bombas de gás lacrimogêneo jogadas recentemente por soldados israelenses contra Husseini durante um incidente agravaram seus problemas cardíacos. A violência, e não os esforços de paz, dominaram a atmosfera nesta quinta, e colonos judeus retaliaram duramente ataques contra eles, acusando o governo Sharon de não protegê-los. Nas proximidades da cidade de Nablus, na Cisjordânia, colonos abriram fogo contra carros palestinos, ferindo levemente duas pessoas, segundo a polícia. Nas proximidades, colonos apredejaram e espancaram um grupo de palestinos cujo carro capotou depois que os colonos jogaram pedras contra ele. Um dos palestinos ficou seriamente ferido, disseram médicos. Três israelenses foram detidos em conexão com os incidentes. A polícia israelense suspeita que colonos também foram responsáveis por um incêndio numa plantação nas proximidades da vila de Ramin, na Cisjordânia. Centenas de colonos promoveram uma manifestação na frente do escritório de Sharon, bloqueando o tráfego no local. Alguns carregavam cartazes nos quais se lia: "Destrua Arafat agora!" Numa visita de condolências à família de Gilead Zar, um colono morto no começo da semana, Sharon denunciou Arafat. "Sei exatamente com quem estamos lidando", disse Sharon, aparentemente sem perceber que seus comentários estavam sendo gravados. "Por anos eu já venho dizendo que Arafat é um homem primitivo." A declaração de Sharon foi divulgada por estações de rádio de Israel. O ministro da Infra-Estrutura, Avigdor Lieberman, um linha-dura no gabinete de Sharon, disse que Israel deveria reocupar imediatamente áreas controladas pelos palestinos na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. "Nas próximas 48 horas, precisamos entrar em todas as áreas palestinas e destruir toda a infra-estrutura da Autoridade Palestina, destruir os arsenais de suas forças, incluindo os das suas milícias. Caso contrário, não seremos capazes de parar a violência", afirmou Lieberman à Rádio de Israel. Arafat disse que o pedido de Lieberman significa que Israel planeja uma guerra contra os palestinos. "O objetivo deles ao convocar uma trégua é na verdade mobilizar as massas israelenses para preparar uma guerra declarada aos palestinos, na qual eles utilizarão todos os meios militares para paralisar a Autoridade Palestina", disse Arafat perante o Senado da Bélgica.

Agencia Estado,

31 Maio 2001 | 23h46

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