OZAN KOSE/AFP
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Com alta de 544% no fluxo de estrangeiros, UE admite não saber quem entra no bloco

Nos últimos quatro anos, bloco emitiu ordens de expulsão para mais de 1 milhão de pessoas; quantidade de vistos de entrada recusados aumentou 3% de 2014 para 2015 e brasil é o 9º país mais afetado

Jamil Chade, Correspondente / Genebra, O Estado de S. Paulo

08 Abril 2016 | 14h49

GENEBRA - A Europa vive um desafio sem precedentes na história recente da região: o fluxo inédito de imigrantes e refugiados para o continente. Novos números oficiais apresentados pela agência de fronteiras do bloco, a Frontex, apontam que um total de 1,8 milhão de pessoas entraram de forma irregular na Europa apenas em 2015, uma alta de 544% em 12 meses.  

As barreiras também seguiram o mesmo ritmo. Em 2015, um número recorde de 286 mil estrangeiros receberam ordens para deixar o bloco e, nas fronteiras, 118 mil pessoas foram impedidas de entrar na Europa. Mas a Frontex admite que sequer sabe quem entra hoje na Europa e não está equipada para lidar com a situação. 

"O ano de 2015 foi marcado por um número sem precedentes de identificação de entradas ilegais na Europa, revelando uma crise migratória sem equivalente na Europa desde a Segunda Guerra Mundial", indicou a Frontex, em relatório obtido pelo Estado.

Em 2012, 72 mil pessoas tinham entrado na Europa de forma irregular. Um ano depois, esse número aumentou para 107 mil. Com a crise síria se prolongando, o volume atingiu 282 mil em 2014. Mas, em 2015, o salto foi inédito, para 1,8 milhão de estrangeiros. 

Os sírios lideraram a onda de migração, com 594 mil pessoas. Em segundo lugar ficaram os afegãos, com 267 mil, seguidos por 101 mil iraquianos. 

Desconhecidos. O que surpreende a Frontex é que as autoridades simplesmente não sabem de onde vieram cerca de 500 mil pessoas que entraram no bloco. "As autoridades de fronteira não estão equipadas para lidar com grandes fluxos", indicou o texto. "(As autoridades de fronteira) Estão sob intensa pressão, mas o crescimento do fluxo expôs as dificuldades que eles enfrentam para lidar de forma adequada."

Para a Frontex, a União Europeia (UE) vive três desafios simultâneos: "a pressão sem precedentes da crise migratória, a ameaça terrorista e o aumento de viajantes regulares".

Diante desse cenário, a entidade admite que nunca se expulsou tantas pessoas da Europa como agora. Os governos europeus emitiram ordens para expulsar mais de 1 milhão de imigrantes do bloco nos últimos quatro anos. Em 2015, os números bateram recorde, com 286 mil. Entre 2014 e 2015, a alta foi de 14%. 

Se a porta de entrada na Grécia tem sido alvo de especial preocupação, os dados da Frontex apontam que o movimento é generalizado em todas as fronteiras e aeroportos.  

Os sírios lideram o número de expulsões, com 27 mil ordens de retorno forçado. Os albaneses vem em segundo lugar, com 26 mil casos, seguidos por 22 mil ordens contra marroquinos. 

Do total das ordens, 175 mil deportações foram cumpridas em 2015, uma alta de 8% em comparação ao ano anterior. Em 81 mil casos, os estrangeiros concordaram em deixar o continente de forma espontânea, depois de receberem a ordem de saída. No entanto, em 69 mil casos, a polícia foi obrigada a intervir. 

Fechado. Além das expulsões, os dados mostram que as fronteiras também estão cada vez mais controladas. Em 2015, 118 mil pessoas foram impedidas de entrar no bloco, 3% a mais que em 2014.

O Brasil aparece como a nona nacionalidade mais afetada, com 2,4 mil casos de recusa de entrada na Europa no ano passado, superando os casos da Argélia e sendo o único país latino-americano a estar entre as dez nacionalidades mais impactadas.

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