AP Photo/Susan Walsh
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Com boicote de líderes negros, Trump inaugura museu de direitos civis

Presidente americano diz que instituição lembrará 'opressão, crueldade e injustiça infligidas à comunidade afro-americana'; John Lewis, líder histórico da luta por direitos civis, diz que presença do republicano no evento 'é um insulto'

O Estado de S.Paulo

09 Dezembro 2017 | 19h03

JACKSON, ESTADOS UNIDOS - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu neste sábado, 9, o fim do ódio racial na inauguração de um museu dedicado às vítimas da violência dos supremacistas brancos no sul do país. A cerimônia foi boicotada por vários líderes negros.

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A presença do presidente republicano no evento de abertura do Museu de Direitos Civis do Mississippi, na cidade de Jackson, a convite do governador do Estado - o também republicano Phil Bryant -, desencadeou uma reação dos defensores dos direitos civis, o veterano legislador democrata John Lewis.

Lewis afirmou na véspera que as políticas do presidente são "um insulto às pessoas representadas neste museu em favor dos direitos civis" - em 1965, Lewis liderou uma marcha por direitos civis em Selma, no Alabama, que foi duramente reprimida pela polícia, data que ficou conhecida como "domingo sangrento".

Em seu discurso para os convidados, Trump enfatizou que a nova instituição lembrará "a opressão, a crueldade e a injustiça infligidas à comunidade afro-americana e a luta para acabar com a escravidão".

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"Queremos que nosso país seja um lugar onde todas as crianças de cada grupo possam crescer se medo, sem ódios e rodeadas de amor, oportunidade e esperança", disse o presidente.

Pequenos protestos foram realizados em Jackson em razão da presença do líder republicano. Entre os políticos que boicotaram o evento está o prefeito da cidade, Chokwe Antar Lumumba, que também é presidente da Associação Nacional para o Progresso das Pessoas de Cor (NAACP, na sigla em inglês).

Desde que assumiu a Casa Branca em janeiro, Trump foi acusado em várias ocasiões de tolerar manifestações racistas, como quando se negou a condenar uma concentração, em agosto, de supremacistas brancos e neonazistas em Charlottesville, na Virgínia.

O encontro resultou em atos de violência que terminaram com a morte de uma mulher de 32 anos, atropelada por um supremacista. / AFP

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