Com Hillary e Trump favoritos, Nova York realiza primárias cruciais nesta terça

Candidatos participaram de atos de campanha até as últimas horas da segunda em busca de apoio nas prévias mais disputada de ambos os partidos no Estado em décadas

O Estado de S. Paulo

19 Abril 2016 | 10h18

NOVA YORK - Segundo Estado com maior número de delegados, atrás apenas da Califórnia, Nova York realiza nesta terça-feira, 19, eleições primárias consideradas cruciais no amplo processo que define os candidatos dos partidos Republicano e Democrata à presidência dos Estados Unidos.

As últimas pesquisas confirmam que a ex-secretária de Estado e ex-primeira-dama Hillary Clinton é favorita na disputa nova-iorquina com seu único concorrente, o senador Bernie Sanders, do lado democrata. Entre os republicanos, o empresário Donald Trump não parece ter um adversário à altura em seu Estado natal e onde construiu seu império.

Porém, ao observarmos a corrida pela candidatura democrata em âmbito nacional, o favoritismo de Hillary não é tão evidente, e a enorme vantagem que a separava inicialmente de Sanders diminui a cada dia.

Uma pesquisa do "The Wall Street Journal" e da emissora "NBC" divulgada na segunda-feira aponta que a diferença entre ambos é de apenas dois pontos percentuais. Quando eles começaram a corrida eleitoral, em junho do ano passado, era de 60 pontos.

Sanders, que nasceu e passou a infância em Nova York, embora depois tenha se mudado para o Estado vizinho Vermont, onde se moldou como político e pelo qual é senador, chega a votação desta terça com mais motivos para comemorar dos que a ex-primeira-dama.

Nas primárias realizadas desde 22 de março em diferentes Estados, sete foram vencidas por Sanders, e só uma, a do Arizona, por Hillary. Mas, à margem do que digam as pesquisas, a palavra final será dos delegados partidários que cada um obteve ao longo do processo de disputa interna que votarão na convenção nacional da legenda que vai definir quem concorrerá com um adversário republicano, em novembro, para trabalhar no Salão Oval da Casa Branca.

E é aí que mora a real vantagem de Hillary, que tem até agora o apoio de 1.776 delegados contra 1.125 de Sanders, incluindo os chamados "superdelegados", ou dirigentes do partido que, embora não tenham que seguir a preferência de um determinado colégio eleitoral, se pronunciaram explicitamente por um dos dois concorrentes.

No lado republicano, Trump segue com ampla vantagem em nível nacional nas pesquisas de opinião e no número de delegados sobre seu adversário mais próximo, o senador pelo Texas Ted Cruz. Em Nova York, Trump, segundo a mais recente pesquisa feita pela emissora "Fox", tem 53,1% da preferência, mais do que o dobro do segundo colocado no Estado, o governador de Ohio, John Kasich, que tem 22,8%.

O empresário, que soube colher ódios e lealdades em Nova York por suas posições radicais, está tão convicto de sua vitória neste Estado que queimou seus últimos cartuchos por eleitores não na capital, Albany, ou em um dos cinco distritos do município de Nova York, mas sim na cidade de Buffalo, perto da fronteira com o Canadá.

Horas antes, na torre que leva seu nome, na cidade de Nova York, ele se reuniu com um pequeno grupo de uma associação de minorias que o apoia e voltou a afirmar que ganhará a votação com toda segurança e que tem o apoio de "milhões" de eleitores.

Em breves declarações destacadas pela imprensa local, Trump defendeu o que vem repetindo em sua campanha: fazer dos Estados Unidos uma nação "grande" e com "fronteiras seguras".

Hillary, que sabe que tem muito em jogo em Nova York, incluindo os 291 delegados do Estado, dedicou a segunda-feira para ter um encontro com lavadores de veículos no distrito de Queens e para participar de um painel sobre políticas da mulher.

Nesse último ato, a ex-secretária de Estado insistiu na agenda progressista que defende desde que lançou sua campanha, em junho, justamente em Nova York, Estado pelo qual foi senadora em dois mandatos. "Esta eleição não se trata só de mim, é pela agenda que apresentamos perante o país, um plano de ter o progresso que queremos ver", afirmou.

Sanders, que no domingo reuniu milhares de pessoas em um comício no distrito do Brooklyn, onde nasceu, também teve várias atividades, incluindo "corpo a corpo" com eleitores. À noite, ele liderou um ato de fechamento de sua campanha em Nova York em Long Island, do outro lado da ilha de Manhattan, no qual pediu comparecimento em massa às urnas nesta terça-feira.

"Se conseguirmos uma participação grande amanhã (hoje), vamos ganhar em Nova York", afirmou Sanders, que foi apresentado a eleitores pelo ator Danny Glover.

Neste último comício, o senador insistiu em defender a "revolução política" que vem pedindo em sua campanha e renovou seus ataques a Wall Street e ao mundo dos negócios, um dos principais alvos de sua campanha eleitoral. "Não é só Wall Street, temos uma economia manipulada de cima a baixo", insistiu. / EFE

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