ANATOLII STEPANOV/AFP
ANATOLII STEPANOV/AFP

Veteranos pró-Rússia que lutaram na guerra da Ucrânia querem combater EI

Combatentes afirmam que ‘querem continuar na Síria o que começaram na Ucrânia’; objetivo é impedir uma propagação do que eles chamam de ‘peste jihadista’

O Estado de S. Paulo

21 Outubro 2015 | 10h01

MOSCOU - Combatentes pró-Rússia estão se alistando em brigadas internacionais para combater o grupo extremista Estado Islâmico (EI), mesmo que não haja tropas russas na região.

"Queremos continuar na Síria o que começamos na Ucrânia. Não há diferença entre o exército ucraniano e os terroristas do Estado Islâmico. Se matar um jihadista, irei para o paraíso", declarou Tanai Cholkhanov, ex-militar russo.

Cholkhanov, muçulmano oriundo da cidade russa de Voronej, deve viajar no final de outubro a Moscou para formalizar os papéis e receber o "sinal verde" para combater na Síria.

"Existem muitos voluntários russos combatendo no grupo do exército sírio por lá. Um amigo meu, Maxim Trifonov, morreu há pouco tempo com outros oito voluntários. Seu carro passou por cima de uma bomba", disse.

Ele e outros querem combater na Síria como "voluntários" que se alistaram para acabar com a ameaça terrorista, e não como "mercenários" a favor de quem pagar melhor. Cholkhanov disse que o governo sírio paga US$ 50 diários aos voluntários e nega que esse seja o motivo, mas "o que acontece agora na Síria com (o presidente) Bashar Assad, pode acontecer amanhã na Rússia".

"Vi com meus próprios olhos ucranianos atirarem na direção de mulheres e crianças. E agora os jihadistas cometem barbaridades e cortam cabeças. Não podemos ficar de braços cruzados. É preciso acabar com os terroristas", disse.

Os cristãos russos que querem combater os extremistas se alistam para evitar que uma chamada "peste jihadista" contamine a Ásia Central e de lá se propague para a Rússia.

Segundo a imprensa local, os diferentes grupos que administram essas solicitações exigem experiência em combate, boa forma física, patriotismo à toda prova e um contrato de seis meses. Em troca, prometem um salário digno, equipamentos e instrução.

Combatentes. A aventura de Cholkhanov, de 38 anos, começou em março de 2014, quando viajou para a Crimeia para apoiar a independência da então península ucraniana e sua integração à Rússia.

Atingido esse objetivo, ele cruzou a fronteira com a região de Luhansk com uma câmera na mão, mas acabou participando ativamente das ações de combate que começaram após o levante militar pró-Rússia em abril deste ano. Ele se disse decidido a criar um batalhão russo que combata por sua conta no país árabe para acabar com os jihadistas.

Yana Pirdzhanova não é russa, mas acredita que é seu dever comparecer em defesa "dos irmãos sírios", já que durante a guerra contra a Ucrânia "muitos estrangeiros" também entraram nas milícias rebeldes para defender a minoria russófona.

"Queremos retribuir o favor. Meu coração me diz que quero lutar. Não posso ficar em casa enquanto outros morrem na Síria", afirmou. Yana reconheceu que perdeu tudo em razão da guerra, seus pais ficaram sem trabalho e seu namorado ficou ferido.

"Estudei economia e trabalhei como contadora, mas explodiu a guerra e ficamos sem nada. Não tinha para onde ir e, então, fui para o fronte. Combati durante seis meses, até fevereiro de 2015. Agora, vivemos uma autêntica catástrofe humanitária", disse.

Yana previu que a guerra contra o Estado Islâmico "será muito longa", por isso são necessários muitos voluntários para expulsar os extremistas da Síria.

"Meus pais são contra, mas decidi", declarou a jovem de 24 anos, que desconfia da atual trégua vigente em Donetsk, já que os disparos continuam diariamente. Para ela, é "impossível" que a região continue a fazer parte da Ucrânia.

Autoridades russas descartaram uma futura operação terrestre na Síria e desmentem categoricamente a presença de seus militares nas fileiras do exército de Assad. /EFE

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