GEORGE OURFALIAN/AFP
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Comboio de ajuda humanitária é saqueado na Síria

Homens armados roubaram alimentos e maltrataram motoristas; nova rodada de negociações começa nesta quinta-feira

O Estado de S.Paulo

23 Fevereiro 2017 | 12h44

NAÇÕES UNIDAS - Um comboio de ajuda humanitária que se dirigia a zonas sitiadas da Síria foi interceptado por homens armados que saquearam os alimentos e maltrataram os motoristas, dias antes do início das negociações de paz, indicou a ONU na quarta-feira.

Somente três comboios conseguiram chegar às cidades tomadas pelos rebeldes nos últimos meses, o que o responsável das operações humanitárias da ONU, Stephen O'Brien, descreveu como uma taxa de assistência de "zero ou quase zero" aos sírios que vivem nas zonas cercadas.

Esta semana, outros dois comboios se dirigiram a Waer, uma cidade tomada pelos rebeldes no centro do país, mas um deles teve que dar a volta em razão da presença de atiradores de elite ao longo da estrada.

No dia seguinte, bombardeios e disparos impediram novamente os caminhões de chegarem à cidade, e no caminho de volta o comboio foi desviado por homens armados até "uma zona tomada pelas forças governamentais", segundo O'Brien.

"Os motoristas e os caminhões foram temporariamente retidos e vários motoristas foram maltratados e liberados depois, sem a ajuda humanitária", acrescentou o diplomata da ONU.

A Organização das Nações Unidas pediu na semana passada ao governo sírio de Bashar Assad que deixasse a ajuda humanitária chegar a Waer, o que seria "um gesto de boa vontade" antes do início de uma nova rodada de negociações nesta quinta-feira, 23, em Genebra.

O'Brien lamentou "a indiferença flagrante da proteção dos trabalhadores humanitários" e afirmou que continuarão os esforços para chegar a Waer, onde 50 mil civis não recebem ajuda há quatro meses.

Mais de 310 mil pessoas morreram na guerra da Síria, que entrará em seu sétimo ano em abril, e mais da metade da população, cerca de 13 milhões de indivíduos, está deslocada.

O enviado especial da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, confessou que não esperava grandes avanços nas próximas negociações de paz, as primeiras desde as realizadas em abril entre o governo sírio e uma oposição enfraquecida. / AFP

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