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Comboio russo entra na Ucrânia e Kiev denuncia 'invasão direta' do país

O Estado de S. Paulo

22 Agosto 2014 | 06h 17

Em comunicado, chancelaria da Rússia acusou a Ucrânia de deliberadamente impedir a entrega da ajuda e disse que decidiu agir

Sergei Grits / AP
Caminhões russos com ajuda humanitária entram na Ucrânia

KIEV - Um comboio russo com ajuda humanitária entrou nesta sexta-feira,22, em território ucraniano e revoltou as autoridades de Kiev, que afirmam não ter dado autorização para a operação. O governo ucraniano acusou Moscou de tramar "uma invasão direta do país". 

"Consideramos isso uma invasão direta da Ucrânia pela Rússia", disse o chefe de segurança nacional ucraniano, Valentyn Nalivaychenko. Segundo o porta-voz do Exército, Andrei Lysenko, os russos entraram na Ucrânia sem autorização ou participação da Cruz Vermelha Internacional ou dos guardas de fronteira.

Os 34 caminhões com água, geradores e colchões devem levar ajuda aos moradores de Luhansk, onde os separatistas pró-Rússia estão baseados. Dos cerca de 300 caminhões, 34 já atravessaram a fronteira e outros 30 se preparavam para seguir o caminho, o porta-voz do controle de fronteira russo, Rayan Farukshin.

Em comunicado, o ministro do Exterior da Rússia acusou a Ucrânia de deliberadamente impedir a entrega da ajuda e disse que decidiu agir. "Nossa coluna com ajuda humanitária começou a se mover em direção à Luhansk", informou em sua página oficial.

Na declaração, as autoridades russas também disseram que a Cruz Vermelha estava preparada para acompanhar o deslocamento dos caminhões. Nenhum integrante da instituição foi visto próximo ao comboio nesta sexta-feira.

O porta-voz afirmou que a travessia da fronteira sem acompanhamento da Cruz Vermelha violou um acordo entre Kiev e Moscou. A Ucrânia tinha buscado as negociações entre os chefes militares de Moscou e Kiev sobre a questão, mas a Rússia se recusou, disse o coronel Lysenko.

A resposta da Ucrânia para a travessia da fronteira não estava imediatamente clara. O coronel Lysenko disse que o Ministério de Relações Exteriores da Ucrânia deve publicar uma declaração sobre a situação. /  AP e REUTERS