Behrouz Mehri/AFP
Behrouz Mehri/AFP

Em meio à tensão com EUA, iranianos vão às urnas decidir futuro do país

Cerca de 56 milhões de pessoas escolherão entre continuar com a política de abertura ao mundo preconizada por Hassan Rohani e o nacionalismo defendido por Ebrahim Raisi

O Estado de S.Paulo

19 Maio 2017 | 01h48
Atualizado 19 Maio 2017 | 12h34

TEERÃ - Os iranianos começaram a votar nesta sexta-feira, 18, em eleições presidenciais nas quais o atual mandatário, o moderado Hassan Rohani, enfrenta o religioso conservador Ebrahim Raisi.

As seções eleitorais abriram às 7h30 locais (0h30 em Brasília) para os 56,4 milhões de eleitores habilitados, que se pronunciarão entre a manutenção da política de abertura promovida por Rohani e o nacionalismo defendido por Raisi.

Tanto na capital Teerã como nas províncias, o fluxo de eleitores era grande desde o início da votação, com longas filas em alguns locais. A taxa de participação, que é a grande incógnita da eleição, deve superar 72%, de acordo com o ministério do Interior.

"A participação entusiasmada dos iranianos na eleição reforça o poder e a segurança nacional", declarou o presidente Rohani depois de votar em Teerã. Seu rival, Ebrahim Raisi, que votou em uma mesquita em um bairro operário da zona sul da capital, destacou a previsão de uma "grande participação".

O governo de Rohani, de 68 anos, é questionado por Raisi, de 56 anos e ligado ao líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, que votou logo após a abertura das urnas e declarou que "o destino do país está nas mãos dos iranianos".

O célebre diretor iraniano Asghar Farhadi votou em Cannes (sul da França), onde participa no festival de cinema, em uma das urnas que a embaixada do Irã instalou na França, informou a agência de notícias Isna. 

Eleito em 2013 com 50,7% dos votos, Hassan Rohani dedicou a maior parte de seu primeiro mandato de quatro anos à negociação do acordo que permitiu iniciar abertura econômica e política de seu país. O presidente iraniano recebeu o apoio de seu primeiro vice-presidente, Eshaq Jahangiri, outro reformista que retirou sua candidatura e fez campanha por Rohani.

Mas a desconfiança entre Teerã e Washington persiste. A manutenção do acordo nuclear foi acompanhada por novas sanções americanas sobre o programa balístico do Irã. 

Esta situação piorou após a chegada ao poder do presidente americano Donald Trump, que adicionou sanções não relacionadas com a questão nuclear desde janeiro. No fim de semana, Trump comparecerá a uma reunião de cúpula com autoridades muçulmanas de todo o mundo na Arábia Saudita, grande rival do Irã na região.

A intenção de Rohani, apesar da hostilidade de Trump, é prosseguir com a abertura internacional para atrair mais investimentos, enquanto Raisi tem um discurso de defesa das classes mais desfavorecidas.

Além do acordo nuclear, o presidente pode afirmar que conseguiu uma impressionante queda da inflação, que passou de quase 40% em 2013 para 9,5% atualmente.

Sem questionar o acordo nuclear, desejado pelo guia supremo Ali Khamenei, Ebrahim Raisi criticou a falta de resultados do compromisso, que segundo ele não favoreceu os mais necessitados. Raisi critica os números do desemprego, que afeta 12,25% da população e 27% dos jovens, e acusa o governo de Rohani de trabalhar apenas para os "4% mais ricos" do país.

Além da votação presidencial, os 56,4 milhões de eleitores participam nas eleições municipais. O desafio das grandes cidades como Teerã, Machhad (noreste) e Isfahan (centro) é conseguir alterar a maioria conservadora que as governa.  / AFP

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