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Internacional

Portugal

Comentarisa de TV da centro-direita, é eleito presidente de Portugal

Durante a campanha, Marcelo Rebelo de Sousa tentou posicionar-se como um candidato independente que está perto das pessoas, que muitas vezes o chamam de 'professor'

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Lisboa

24 Janeiro 2016 | 22h59

O comentarista de TV popular e membro do Partido Social Democrata, de centro-direita, Marcelo Rebelo de Sousa, é o novo presidente de Portugal, segundo informações da Rádio e Televisão de Portugal (RTP). Com mais de 98% dos votos apurados, Rebelo de Sousa tem mais de 52% dos votos, enquanto Antonio Sampaio da Nóvoa, ex-reitor da Universidade de Lisboa e candidato independente, estava em segundo lugar, com pouco mais de 22%.

As pesquisas de boca de urna, divulgadas logo após a realização da eleição neste domingo e divulgadas pela RTP, mostravam que havia a possibilidade de segundo turno, já que calculavam os votos para Ribeiro de Sousa em uma margem de 49% a 54% do total.

O regime de governo em Portugal é parlamentarista, e o chefe de governo é o primeiro-ministro. No entanto, o presidente pode dissolver o Parlamento, além de vetar certas leis ou encaminhá-las para o tribunal constitucional do país.

Rebelo de Sousa, de 67 anos, disse durante a campanha que iria buscar estabilidade e consenso, se eleito. Ele tentou posicionar-se como um candidato independente que está perto das pessoas, que muitas vezes o chamam de "professor Marcelo".

Em outubro passado, Portugal afundou em uma crise política após uma coalizão liderada pelo então primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, um membro do partido de Rebelo de Sousa, venceu a eleição no parlamento , mas perdeu a maioria. O Líder socialista António Costa, em seguida, reuniu o apoio de três partidos de extrema esquerda, incluindo o Bloco de Esquerda, para ganhar a maioria e formar um novo governo.

O Presidente Aníbal Cavaco Silva, cujo mandato de 10 anos está terminando, tinha a responsabilidade de mediar o resultado das eleições. Apesar de sua oposição a uma aliança de esquerda que apelou a uma reversão das políticas de austeridade de Passos Coelho, ele acabou nomeando Costa como primeiro-ministro.

Embora a crise política tenha sido resolvida, o governo de Costa sofre pressão para manter seus aliados de esquerda satisfeitos, ao anunciar medidas anti austeridade, ao mesmo tempo em que deve obedecer as regras de equilíbrio fiscal da União Europeia.

Até agora, Costa tem sido capaz de equilibrar as duas vertentes, mas poucos analistas políticos acreditam que a aliança vai durar muito tempo. A situação econômica de Portugal ainda é frágil, apesar de sua renúncia bem sucedida de um resgate de 78 bilhões de euros da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional.

Rebelo de Sousa "provavelmente não vai ser tímido de usar sua prerrogativa de dissolver o parlamento para resolver impasses políticos, especialmente se surgir fissuras na aliança de esquerda e governar o país se tornar cada vez mais difícil", disse Antonio Barroso, analista da consultoria de risco político Teneo Intelligence. Fonte: Dow Jones Newswires. 

 

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