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Comissão sobre história do conflito armado na Colômbia é criada

O Estado de S. Paulo

21 Agosto 2014 | 17h 39

Grupo não terá papel de comissão da verdade e deverá apresentar uma visão plural e neutra dos impactos da violência armada no país

HAVANA - A mesa de diálogos de paz entre o governo e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) constituiu nesta quinta-feira, 21, em Havana, a Comissão Histórica do Conflito Armado e suas Vítimas, com o objetivo de oferecer uma visão multilateral, plural e neutra sobre a violência armada no país.

A comissão tem 12 especialistas, todos procedentes do mundo acadêmico, mais dois relatores, que se ocuparão propriamente da elaboração do relatório final. Para esse documento, os relatores se apoiarão na documentação que apresentem os intelectuais da comissão, que contarão com quatro meses para elaborar um relatório a respeito.

Os dois relatores são Eduardo Pizarro, atual embaixador da Colômbia na Holanda e autor de vários textos sobre a história das Farc, e Víctor Manuel Moncayo, ex-reitor da Universidade Nacional.

Os membros da comissão, pactuados pelas duas delegações de paz que participam das conversas desde novembro de 2012, são Renan Vega, Francisco Gutiérrez, Darío Fajardo, Sergio de Zubiría, María Emma Wills, Vicente Torrijos, Jaime Estrada, Alfredo Molano, Jorge Giraldo, Gustavo Duncán, Carlos Fajardo e Daniel Pecaut.

O grupo terá seu primeiro encontro de trabalho na próxima semana, mas desenvolverá a maior parte do trabalho de maneira individual e terá reuniões periódicas para discutir os textos produzidos, explicou Pizarro em entrevista.

"Como acadêmicos, nossas contribuições não responderão a critérios políticos. Serão independentes. Por isso não se vai produzir uma verdade, nem uma versão oficial", acrescentou Torrijos, analista político e jornalista.

Segundo disse, o objetivo é "refletir a pluralidade e diversidade de opiniões que há na sociedade colombiana sobre o conflito", motivo pelo qual o "destinatário final" do relatório elabora será o cidadão.

María Emma Wills também esclareceu que o papel da comissão não será recopilar evidências sobre as responsabilidades no conflito armado, o que corresponderia à futura Comissão da Verdade, mas "propor fios interpretativos que facilitem a compreensão e o entendimento sobre o conflito". / EFE