Condenado garoto que matou professor

Um tribunal da Flórida declarou nesta quarta-feira o menor americano Nathaniel Brazill culpado de assassinato em segundo grau, pelo qual ele pode ser sentenciado de 25 anos de prisão a prisão perpétua. Brazill, de 14 anos, foi condenado pela morte de seu professor de inglês, Barry Grunow, na escola secundária Lake Worth, em maio do ano passado. A sentença será dada pelo juiz que presidiu o julgamento, Richard Wennet, em sessão marcada para 29 de junho. Grunow, de 35 anos, foi morto com um tiro de pistola disparado por Brazill. As câmeras de segurança da escola registraram as imagens do menor andando pelo edifício com a arma em punho e apontando-a na direção de outros professores. Os advogados de defesa alegaram que o tiro que matou Grunow foi acidental e tentaram provar que o menor é retardado mental. A promotoria, por seu lado, argumentou que Brazill premeditou o assassinato. O crime ocorreu em meio a uma onda de ataques a tiros e explosões promovidos por alunos em escolas americanas - que chocaram o país e causaram manifestações em favor de um controle mais rígido da comercialização de armas de fogo. Apesar de ter apenas 13 anos por ocasião do crime, Brazill foi julgado como adulto, num caso que reacendeu o debate sobre a norma jurídica americana de não conceder privilégios penais a menores acusados de assassinato. Caso fosse condenado por assassinato em primeiro grau, Brazill seria sentenciado diretamente à prisão perpétua (por ser menor ele não poderia ser condenado à morte), sem possibilidade de redução de pena. Mas a decisão do júri, formado por nove homens e três mulheres de não declarar o réu culpado por homicídio em primeiro grau, indica que os jurados não consideram ter havido premeditação. O corpo de jurados, porém, declarou Brazill culpado do delito de assalto armado. As deliberações estenderam-se por dois dias e meio, período durante o qual os jurados pediram para rever as provas apresentadas contra o adolescente. Usando gravata e uma camisa cinza, Brazill ouviu impassível o anúncio do veredicto. "Não está mal", disse ele depois, segundo seu advogado, Robert Udell. "Considero que o veredicto foi justo", disse Udell aos jornalistas. O diretor da escola secundária Lake Worth, Bob Hatcher, disse ao sair do tribunal: "O sistema legal americano funcionou, e espero que todos tenhamos entendido sua mensagem."

Agencia Estado,

16 Maio 2001 | 21h49

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