Condenados e multados os envolvidos no caso Elf

Ex-presidente do Conselho Constitucional (a máxima instituição judicial francesa) e ex-chanceler, Roland Dumas, de 78 anos, foi condenado nesta quarta-feira pelo Tribunal de Paris a dois anos de prisão (dos quais deverá cumprir em reclusão apenas seis meses) por envolvimento no rumoroso escândalo de corrupção político-financeira da Elf (estatal francesa do petróleo) - um desvio de US$ 500 milhões. Além disso, ele terá de pagar multa equivalente a US$ 130,380.00. Outros quatro indiciados, incluindo a ex-amante de Dumas, Christine Deviers Joncour, receberam penas mais severas e tidas como exemplares - provavelmente por causa de suas posições de destaque nos meios políticos e empresariais do país. Tanto Dumas quanto os demais condenados decidiram recorrer. Saíram indignados do tribunal, pois não imaginavam sentenças tão severas. Os juízes pretenderam, com sua decisão, condenar o homem público que não cumpriu o dever. Durante as audiências, o ex-chanceler negou ter exercido pressão sobre a direção da Elf para contratar a ex-amante, admitindo, contudo, ter sido beneficiado apenas de uma forma marginal de vantagens (das comissões ilegais recebidas por ela) entre 1989 e 1993. Christine - cuja missão no grupo era fazer Dumas mudar de posição sobre a venda de seis fragatas francesas a Taiwan - recebeu comissões de cerca de US$ 10 milhões e aplicou parte na compra de luxuoso apartamento no bairro de Saint Germain de Près. O Ministério das Relações Exteriores da França, então chefiado por Dumas, opunha-se à venda das embarcações para não prejudicar os vínculos da França com a China, que reclama soberania sobre Taiwan. Christine foi condenada a três anos de prisão (devendo cumprir 18 meses) e multada em US$ 195,570.00. O ex-presidente da Elf, Loik Le Floch Prigent, pegou três anos e meio de reclusão e pagará multa de US$ 260,800.00. O principal acusado, ex-diretor de "negócios gerais", Alfred Sirven, recebeu a maior pena: quatro anos de prisão e multa de US$ 270,000.00. Sirven refugiou-se durante quatro anos nas Filipinas. Ele está confinado na penitenciária parisiense de La Santé e recusou-se a comparecer às audiências na fase de instrução. Também não ouviu a sentença, permanencendo em sua cela. O consultor Gilbert Miara, um empresário próximo de Christine Devier Joncour, foi condenado a 18 meses de prisão e deverá pagar uma multa de US$ 135,000.00. Esse é apenas um dos processos do caso Elf, o que tratou de empregos fictícios e subornos, mas outros, envolvendo inclusive financiamentos a partidos políticos alemães e a compra de refinarias na Espanha e Alemanha, serão abertos em outubro.

Agencia Estado,

30 Maio 2001 | 19h22

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