Confrontos na Nigéria deixam mais de 200 mortos

Mais de 200 mortos, centenas de feridos, incêndios em igrejas e mesquitas foram registrados durante os últimos dois dias de protestos de muçulmanos contra os ataques aéreos no Afeganistão liderados pelos Estados Unidos. "Os feridos foram carregados para os carros e transportados para os hospitais. Kano esta manhã parece uma cidade fantasma", disse uma testemunha neste domingo. As autoridades nigerianas decretaram toque de recolher desde as 19h até as 6h da manhã. A polícia recebeu ordens para disparar contra os manifestantes. Nas ruas circulam apenas patrulhas policiais e militares, enviadas para reforçar o governo federal do presidente Olusegun Obasanjo, enquanto as lojas permanecem fechadas e a população permanece dentro de casa. "Cerca de cem pessoas estão nas delegacias de polícia e aproximadamente 300 nas prisões, todos são muçulmanos", informou um porta-voz da polícia. "Ninguém saiu hoje, nem sequer para ir à missa", acrescentou. O governo evitou precisar o número de vítimas e limitou-se a admitir a existência de "muitos mortos". Os bombardeios no Afeganistão foram o pretexto para novos confrontos violentos entre cristãos e muçulmanos na Nigéria. Também ocorreram saques a casas de cristãos (minoria), além de incêndios de templos de ambas as religiões. Segunda cidade da Nigéria, Kano vem sendo atormentada há décadas por lutas religiosas. A cidade foi cenário de sangrentos episódios entre muçulmanos e cristãos, sobretudo a partir do ano passado, quando as autoridades locais impuseram a sharia (lei islâmica). Leia o especial

Agencia Estado,

14 Outubro 2001 | 23h06

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