REUTERS/Mariana Bazo
REUTERS/Mariana Bazo

Congresso do Peru dá início a processo para destituir presidente

Pedro Pablo Kuczynski mentiu sobre ter recebido pagamentos da Odebrecht quando era ministro do ex-presidente Alejandro Toledo

O Estado de S.Paulo

15 Dezembro 2017 | 16h25
Atualizado 15 Dezembro 2017 | 18h05

LIMA - O Congresso do Peru aprovou nesta sexta-feira, 15, um processo para destituir o presidente Pedro Pablo Kuczynski, depois de uma CPI do Congresso descobrir que ele recebeu pagamentos da Odebrecht quando era ministro do ex-presidente Alejandro Toledo – algo que ele sempre negou. Na madrugada, Kuczynski negou-se a renunciar ao cargo após um ultimato dado pela oposição fujimorista.  

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Opositores do partido fujimorista Fuerza Popular reuniram 27 assinaturas de um total de 130 congressistas, no qual Kuczysnki é minoria, para iniciar os trâmites para destituí-lo por “permanente incapacidade moral”.

O próximo passo é que 52 parlamentares votem a favor do pedido de juízo político. O presidente terá direito à defesa e a oposição precisa de 87 votos para tirá-lo do cargo. Os fujimoristas têm 71 deputados e precisam de mais 16. O processo, segundo analistas, deve ser concluído até a semana que vem.

Caso perca o cargo, Kuczynski deve ser substituído por um de seus vice-presidentes,  Martín Vizcarra ou Mercedez Araóz. Caso os dois também acabem sendo destituídos, o Congresso deve convocar novas eleições. 

A  Odebrecht revelou na terça-feira ao Congresso do Peru ter pagado US$ 782 mil por consultorias a uma empresa do presidente Pedro Pablo Kuczynski. Os dados foram fornecidos pela empresa à comissão parlamentar que investiga o caso Lava Jato no Peru.

"Um documento assinado por Mauricio Cruz, representante da Odebrecht Peru, destaca que a empresa ligada diretamente a Pedro Pablo Kuczynski prestou serviço de consultoria por   US$ 782.207  à empresa do grupo Odebrecht", diz uma nota informativa do Congresso.

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"Peço o levantamento do meu sigilo bancário para que se revisem tudo o que queiram e assumo todas as responsabilidades dos meus atos", respondeu Kuczynski depois das acusações terem sido tornadas públicas. O presidente disse que vai enfrentar a situação e não se esquivará nem se ocultará diantes das acusações, porque, segundo ele, não tem "nenhum motivo para fazer isso". "Não vou renunciar, nem à minha honra nem aos meus valores, nem às responsabilidades como presidente de todos os peruanos", declarou.

No mês passado, Kuczynski negou veementemente ter qualquer ligação profissional ou política com a Odebrecht. A contradição abriu caminho para a oposição que o presidente mentiu durante o exercício  do cargo.

Segundo o deputado fujimorista Hector Becerril, os principais partidos de oposição a Kuczynski discutirão os próximos passos do processo. Os esquerdistas da Frente Ampla e o Partido Aprista, que assim como o Fuerza Popular, assinarão a moção de destituição, também devem votar pelo afastamento.  “Ele teve a chance de renunciar e vivemos que ele não é capaz disso. Quer se aferrar ao poder”, disse. 

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Dada a força da oposição no Congresso, analistas duvidam que o presidente conseguirá manter-se no poder. “Qualquer que seja o cenário, a crise política está cada vez mais tensa”, disse o consultor Larrain Viel. 

Os desdobramentos da Lava Jato no Peru já levaram à prisão do ex-presidente Ollanta Humala e da ex-primeira-dama Nadine Heredia. Toledo tem contra si um mandado de prisão internacional. O ex-presidente Alan Garcia está envolvido nas denúncias, assim como a líder da oposição, Keiko Fujimori. / AP, AFP e REUTERS

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