Consultor da OMS sugere leis contra o sal nos alimentos

Os governos de todo o mundo poderiam evitar milhões de mortes prematuras e reduzir seus gastos com saúde se adotassem novas leis para reduzir a quantidade de sal nos alimentos, disse na terça-feira um importante consultor nutricional da Organização Mundial da Saúde (OMS).

KATE KELLAND, REUTERS

25 Maio 2010 | 20h08

Franco Cappuccio afirmou que algumas medidas voluntárias das indústrias representaram progressos, mas que caberia aos legisladores alterar o paladar dos seus cidadãos, refletindo os últimos estudos científicos sobre os malefícios do sal.

"Há uma total aceitação de que o sal é ruim para nós, que comemos demais dele, e que deveria ser reduzido", disse Cappuccio à Reuters, defendendo uma "abordagem regulatória para reforçar e sustentar as medidas voluntárias."

Mas esse professor de medicina cardiovascular da Universidade Warwick, onde ele dirige um centro de nutrição que colabora com a OMS, disse haver um poderoso lobby contrário por parte do setor alimentício, cujos lucros são inflados pelo sal.

Um menor consumo de sal reduz significativamente a pressão arterial, o que por sua vez contribui com uma menor incidência de ataques cardíacos e derrames. A hipertensão é a maior causa mundial de mortes, fazendo 7,5 milhões de vítimas por ano no mundo.

Um estudo de 2007 que analisou todas as evidências disponíveis na época concluiu que uma redução global de 15 por cento no consumo de sal evitaria quase 9 milhões de mortes até 2015.

Outro estudo, em março deste ano, disse que uma redução de apenas 10 por cento no consumo nos EUA evitaria centenas de milhares de infartos e derrames ao longo das próximas décadas, representando uma economia de 32 bilhões de dólares para a saúde pública.

Nosso organismo precisa de 1,5 grama de sal por dia, e a OMS recomenda um consumo de até 5 gramas, mas ainda assim há excessos: o consumo médio é de 8,6 gramas por dia na Grã-Bretanha e 10 gramas nos EUA.

"A maior parte do sal consumido no mundo ocidental - na verdade, 80 por cento dele - vem do sal acrescido a alimentos pela indústria alimentícia, e apenas 20 por cento vem do saleiro ou do sal que usamos ao cozinhar", disse Cappuccio.

"Em termos de liberdade do consumidor, efetivamente não temos escolha. Afinal de contas, as multinacionais alimentam a maior parte do mundo."

Em alguns casos, disse ele, a água salgada injetada nos produtos representa até 30 por cento do peso em produtos como o peito de frango. "Isso é 30 por cento de puro lucro (para os fabricantes)", afirmou o consultor.

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